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quarta-feira, 08 de julho de 2026 -

Vídeos médicos feitos com IA dão alerta para saúde de idosos

Deepfakes usam imagem de médicos e celebridades para prometer curas milagrosas, incentivar abandono de tratamentos e vender produtos sem comprovação científica

O avanço da inteligência artificial tem ampliado um novo tipo de risco à saúde pública: vídeos falsos que usam a imagem e a voz de médicos, celebridades e apresentadores para divulgar supostas curas milagrosas, vender suplementos e estimular a substituição de tratamentos médicos por receitas sem comprovação científica. Leia mais em TVT News.

Casos recentes envolvendo nomes conhecidos, como o médico Hélio Brasileiro, o Dr. Drauzio Varella, o apresentador Ratinho e o jornalista Nélson Araújo, mostram como deepfakes estão sendo usados para gerar confiança no público, especialmente entre idosos.

No caso do clínico geral Hélio Brasileiro, de Sorocaba, vídeos falsos passaram a circular com sua imagem vestindo jaleco e dando supostos conselhos médicos. Entre os conteúdos estão promessas de cura para diabetes, Alzheimer e doenças cardiovasculares, além de alertas alarmistas sobre banho quente e orientações perigosas como substituir remédios para hipertensão por suco de maracujá.

Para a médica geriatra Dra. Márcia Umbelino, esse tipo de conteúdo pode ter consequências graves.

“Quando um idoso abandona um medicamento para hipertensão, diabetes ou outra doença crônica porque viu um vídeo na internet, ele pode estar colocando a própria vida em risco. Nenhum suco, chá, suplemento ou receita caseira substitui um tratamento prescrito por um médico”, alerta.

A médica explica que muitos vídeos utilizam medo, urgência e linguagem emocional para convencer o público.

“Esses conteúdos costumam dizer que existe algo que os médicos não querem revelar ou que determinado remédio está fazendo mal. Essa estratégia cria desconfiança no tratamento e pode levar o paciente a tomar decisões perigosas sem orientação profissional”, afirma.

Conselhos não substituem orientação de médicos

Segundo a Dra. Márcia, idosos são mais vulneráveis porque, muitas vezes, convivem com doenças crônicas, usam vários medicamentos e têm mais dificuldade para identificar vídeos manipulados por inteligência artificial.

“É preciso que familiares estejam atentos. Se uma pessoa idosa chega dizendo que vai parar um remédio porque viu um vídeo nas redes sociais, isso deve ser tratado com seriedade. O caminho correto é conversar com o médico, nunca mudar o tratamento por conta própria”, reforça.

A especialista também chama atenção para conteúdos que fazem afirmações generalizadas, como dizer que banho quente sobrecarrega o coração.

“Existem situações específicas em que pacientes com doenças cardiovasculares precisam de cuidados, mas não se pode transformar uma orientação individual em regra para toda a população. Saúde exige avaliação caso a caso”, explica.

Como não cair em fake news de saúde

  • Desconfie de vídeos que prometem cura rápida para doenças graves
  • Não interrompa medicamentos sem falar com seu médico
  • Verifique se o médico citado realmente publicou aquele conteúdo em seus canais oficiais
  • Cuidado com frases como “os médicos não querem que você saiba” ou “cura natural ignorada pela medicina”
  • Não compre suplementos, cursos ou tratamentos indicados em anúncios suspeitos
  • Confirme informações em sites de instituições reconhecidas, hospitais, sociedades médicas e órgãos de saúde
  • Observe sinais de IA, como voz artificial, movimentos estranhos na boca, expressões repetitivas e cortes bruscos
  • Converse com familiares idosos sobre golpes digitais e conteúdos falsos
  • Na dúvida, leve o vídeo ao médico antes de tomar qualquer decisão.

Brasil concentra notícias falsas sobre vacinas

Dados mostram que o Brasil é o epicentro desinformativo da vacinação. A pesquisa foi realizada pelo Laboratório de Estudos sobre Desordem Informacional e Políticas Públicas (DesinfoPop/CEAPG/FGV) e mapeou 81 milhões de mensagens publicadas em 1.785 comunidades de teorias da conspiração no Telegram.

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Brasil concentra fake news relacionadas a vacinas. Foto: Governo de SP/Divulgação

O estudo “Anti-vaccine Disinformation in Latin America and the Caribbean” analisou as mensagens enviadas por 18 países entre 2016 a 2025. Trata-se do maior levantamento já feito sobre o ecossistema digital antivacina na região, cobrindo desde os fluxos discursivos até as dinâmicas econômicas que sustentam a desinformação.

De acordo com o levantamento, entre 2019 e 2021, as publicações sobre imunizantes em comunidades de teorias da conspiração cresceram 689,4 vezes impulsionadas pela pandemia de covid-19. Depois que a pandemia foi superada, o volume de postagens reduziram mas não voltaram a ser o mesmo. Ainda em 2025, conteúdos antivacinas circulam 122,5 vezes mais do que em 2019.

O volume se concentra principalmente no Brasil, o país reúne cerca de 40% de todo o conteúdo antivacina da América Latina e do Caribe. Além disso, o país concentra o maior número de usuários ativos em comunidades conspiratórias sobre o tema. A liderança se mantém há quase uma década e o Brasil sozinho já circulou mais de 580 mil conteúdos. 

Crédito do Matéria

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