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quarta-feira, 08 de julho de 2026 -

confira a lista de livros obrigatórios

Vestibular da USP mantém nove obras obrigatórias em 2027, todas escritas por mulheres de língua portuguesa

Quem pretende disputar uma vaga na Universidade de São Paulo (USP) pelo vestibular da Fuvest em 2027 já pode organizar o cronograma de estudos. A fundação responsável pelo exame manteve uma lista de nove livros obrigatórios, todos escritos por mulheres de língua portuguesa, em uma iniciativa que busca ampliar a visibilidade de autoras historicamente pouco valorizadas no cânone literário. Saiba mais na TVT News.

A mudança faz parte da renovação das leituras obrigatórias para os vestibulares entre 2026 e 2029. Segundo a Fuvest, a proposta pretende reconhecer a contribuição das escritoras para a literatura em língua portuguesa e incentivar uma leitura mais diversa entre os candidatos.

A presidente do Conselho Curador da Fuvest e vice-reitora da USP, Maria Arminda do Nascimento Arruda, afirmou que muitas dessas escritoras “foram alvo de décadas de invisibilidade pelo fato de serem mulheres”. Já o pró-reitor de Graduação da USP, Aluísio Cotrim Segurado, classificou a reformulação como “uma mudança corajosa, necessária, mas que não se afasta da qualidade que a lista da Fuvest sempre teve”.

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Em 2027, duas obras substituem os títulos presentes na lista de 2026: entram A paixão segundo G. H., de Clarice Lispector, e Geografia, de Sophia de Mello Breyner Andresen, enquanto deixam a relação O Cristo Cigano e As meninas.

O diretor executivo da Fuvest, Gustavo Ferraz de Campos Monaco, destacou que a predominância de mulheres não significa excluir autores homens, mas corrigir uma desigualdade histórica. Segundo ele, a nova seleção busca “trazer a público e valorizar o que, muitas vezes, ainda não se conhece”, reforçando o papel da literatura como instrumento de reflexão e transformação social.

Lista de livros obrigatórios da Fuvest 2027

Os candidatos ao vestibular deverão ler as seguintes obras:

  • Opúsculo Humanitário (1853) – Nísia Floresta
  • Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
  • Memórias de Martha (1899) – Julia Lopes de Almeida
  • Caminho de pedras (1937) – Rachel de Queiroz
  • A paixão segundo G. H. (1964) – Clarice Lispector
  • Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
  • Balada de amor ao vento (1990) – Paulina Chiziane
  • Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
  • A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida

A Fuvest ressalta que iniciar a leitura com antecedência facilita a preparação para o vestibular. Além da leitura integral das obras, a recomendação é complementar os estudos com resumos, análises literárias e resolução de questões de provas anteriores.

Confira também as listas da Fuvest para 2028 e 2029

Fuvest 2028

  • Conselhos à minha filha (1842) – Nísia Floresta
  • Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
  • Memórias de Martha (1899) – Julia Lopes de Almeida
  • João Miguel (1932) – Rachel de Queiroz
  • A paixão segundo G. H. (1964) – Clarice Lispector
  • Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
  • Balada de amor ao vento (1990) – Paulina Chiziane
  • Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
  • A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida

As principais mudanças em relação ao ano anterior são a substituição de Opúsculo Humanitário por Conselhos à minha filha, ambos de Nísia Floresta, e de Caminho de pedras por João Miguel, de Rachel de Queiroz.

Fuvest 2029

  • Conselhos à minha filha (1842) – Nísia Floresta
  • Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
  • Dom Casmurro (1899) – Machado de Assis
  • João Miguel (1932) – Rachel de Queiroz
  • Nós matamos o cão tinhoso! (1964) – Luís Bernardo Honwana
  • Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
  • Incidente em Antares (1970) – Érico Veríssimo
  • Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
  • A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida

A edição de 2029 marca uma nova renovação da lista, com o retorno de autores homens de língua portuguesa, entre eles Machado de Assis, Érico Veríssimo e Luís Bernardo Honwana. Segundo a Fuvest, será também o primeiro ano em que a relação contará com quatro obras de autores e autoras negros, além da inclusão de Incidente em Antares, representante da literatura fantástica — gênero que passa a integrar, pela primeira vez, a lista obrigatória do vestibular.

A fundação afirma que a renovação periódica das obras busca manter a qualidade da seleção literária e ampliar o repertório cultural dos estudantes, oferecendo contato com diferentes períodos históricos, estilos narrativos e perspectivas da literatura em língua portuguesa.

Saiba mais sobre as autoras escolhidas pela Fuvest:

Nísia Floresta (1810-1885)
Nísia Floresta Brasileira Augusta foi o pseudônimo escolhido por Dionísia Gonçalves Pinto, considerada a primeira educadora e jornalista feminista do Brasil. Nascida no Rio Grande do Norte, essa escritora em prosa e verso denunciou também as injustiças cometidas contra os negros escravizados e os indígenas brasileiros.

Narcisa Amália (1852-1924)
Narcisa Amália de Campos foi uma educadora, poetisa e jornalista brasileira – primeira mulher a trabalhar profissionalmente como jornalista no Brasil. Dona de uma das poucas vozes femininas de sua época a trabalhar a ideia de identidade nacional, foi também antiescravista e republicana. Sua obra mereceu comentários elogiosos de Machado de Assis e de Pedro II.

Julia Lopes de Almeida (1862-1934)
Escritora, cronista e teatróloga, Júlia Lopes de Almeida foi uma das idealizadoras da Academia Brasileira de Letras, de cuja lista de fundadores foi posteriormente excluída para manter a Academia exclusivamente masculina. Em seu lugar, foi incluído o nome do poeta português Filinto de Almeida, seu marido, popularmente conhecido como o “acadêmico consorte”. Também foi uma das precursoras da literatura infantil no Brasil.

Rachel de Queiroz (1910-2003)
Primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras e a receber o Prêmio Camões, Rachel de Queiroz é uma autora de destaque da literatura social nordestina. Extremamente hábil na análise psicológica de seus personagens, a autora estreou na literatura aos 19 anos.

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004)
Poetisa, contista e escritora de literatura infantil, Sophia de Mello Breyner Andresen foi proveniente de uma família de origem aristocrática portuguesa. Acreditava que a poesia representava um valor transformador fundamental e que era algo que lhe acontecia, como afirmara antes dela Fernando Pessoa. Foi agraciada com o Prêmio Camões, tendo sido a segunda mulher a recebê-lo.

Clarice Lispector (1920-1977)
De origem ucraniana, Chaya Pinkhasivna Lispector emigrou para o Brasil em 1922 com seus familiares em razão da perseguição sofrida pelos judeus ucranianos em sua terra natal. A romancista e contista apresenta, em sua obra, traços bastante específicos como a ruptura com a narrativa factual, o uso intenso de um fluxo de consciência na escrita e o uso intenso de metáforas insólitas, como sublinhou Alfredo Bosi.

Lygia Fagundes Telles (1918-2022)
Lygia Fagundes Telles destacou-se como contista, embora tenha sido, também, uma importante romancista. Membro da Academia Brasileira de Letras, foi a segunda brasileira laureada com o Prêmio Camões e foi reconhecida, ainda em vida, como uma escritora primorosa por seus pares nacionais e internacionais, que a alcunharam “a grande dama da literatura brasileira”.

Conceição Evaristo (1946- )
Poeta, contista e romancista brasileira, Maria da Conceição Evaristo de Brito aborda em suas obras temas de grande relevo social, como a discriminação racial, de gênero e social, sendo considerada uma importante representante do movimento Pós-Modernista no Brasil. Professora universitária, Conceição Evaristo tomou posse, em 2022, como responsável pela Cátedra Olavo Setúbal de Arte, Cultura e Ciência do Instituto de Estudos Avançados da USP. Cunhou a expressão escrevivência para descrever o processo criativo de sua obra.

Paulina Chiziane (1955- )
Moçambicana, nascida no subúrbio de Maputo, Paulina Chiziane iniciou, mas não concluiu, o curso universitário de Letras (linguística). Com uma atuação política destacada em seu país durante o período da independência, a autora se afastou da política e passou a se dedicar à literatura, passando a viver na província de Zambézia, para onde se retirou ao se afastar da política. Primeira mulher a publicar um romance em Moçambique, foi também a primeira mulher africana agraciada com o Prêmio Camões.

Djaimilia Pereira de Almeida (1982- )
Ana Djaimilia dos Santos Pereira de Almeida Brito é a pessoa mais jovem a figurar na lista de leitura obrigatória da Fuvest. Nascida em Angola, a autora passou boa parte de sua vida em Portugal, onde se licenciou em Estudos Portugueses e obteve o título de Doutora em Teoria da Literatura. Atualmente, é Professora da New York University. Foi vencedora do Prêmio Oceanos, tendo sido finalista em outras oportunidades.

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