O Sintramog encaminhou ofício a todas as empresas do setor cadastradas junto à entidade sindical,…

Morte de trabalhador em Itaquaquecetuba acende alerta
Um trabalhador saiu para trabalhar e não voltou para casa. Aos 33 anos, ele morreu na manhã de sábado (29), após ser atingido pela pá de uma retroescavadeira durante uma obra na Rua Águas da Prata, no Jardim Nova Louzada, em Itaquaquecetuba.
Para o SINTRAMOG, uma morte em ambiente de trabalho jamais pode ser reduzida a uma ocorrência rotineira ou tratada como mais um número nas estatísticas. É preciso esclarecer, com rigor, quais eram as condições de segurança da atividade, quais procedimentos estavam sendo adotados e se todos os protocolos necessários estavam sendo cumpridos.
O presidente do SINTRAMOG, Josemar Bernardes Andre, defende que a investigação avance sobre toda a estrutura de trabalho existente no local.
“Estamos falando da vida de um trabalhador de apenas 33 anos. Não basta descobrir o que aconteceu nos segundos que antecederam a morte. É preciso saber como esse serviço foi planejado, quais eram as condições da equipe, quais medidas de segurança estavam sendo adotadas e se havia estrutura suficiente para impedir que uma tragédia como essa acontecesse.”
Trabalhador estava dentro de vala quando foi atingido
Segundo as informações registradas no boletim de ocorrência, uma vala havia sido aberta para a realização de reparos em uma tubulação que apresentava vazamento.
Durante o serviço, o trabalhador entrou na vala e acabou atingido pela retroescavadeira.
O operador da máquina declarou à polícia que não teria visto a vítima e que o trabalhador estava em uma área fora de seu campo de visão.
O caso foi registrado como homicídio culposo por inobservância de regra técnica da profissão. As circunstâncias da morte ainda serão investigadas pelas autoridades.
É justamente por existir uma investigação em andamento que o SINTRAMOG considera precipitado atribuir antecipadamente responsabilidade individual pela tragédia. Para o Sindicato, a apuração precisa alcançar também a organização do trabalho e os procedimentos de segurança adotados na obra.
Não se pode transformar o trabalhador da ponta no único responsável
Em atividades envolvendo valas, máquinas pesadas, tubulações e trabalhadores circulando em áreas de operação de retroescavadeiras, segurança não pode depender apenas da percepção individual de quem está executando o serviço.
É necessário planejamento, isolamento adequado, comunicação entre os trabalhadores, treinamento, supervisão, dimensionamento correto das equipes e procedimentos capazes de impedir que uma pessoa permaneça em uma área de risco sem ser percebida pelo operador da máquina.
Josemar chama atenção justamente para esse ponto:
“Quando ocorre uma morte, é muito fácil procurar o último trabalhador da cadeia e colocar toda a responsabilidade sobre ele. O SINTRAMOG não aceita esse caminho. Segurança do trabalho é responsabilidade de toda a estrutura. Se um trabalhador estava em um ponto cego de uma máquina pesada, precisamos saber quais procedimentos existiam para impedir essa situação.”
Segurança não pode entrar na planilha como gasto a ser cortado
O episódio também reacende uma discussão que vem acompanhando o setor de saneamento: até onde a busca por redução de custos pode avançar sem comprometer as condições de trabalho?
Desde a privatização da Sabesp, entidades sindicais vêm fazendo denúncias sobre redução de equipes, terceirização, deficiência de equipamentos, problemas de treinamento e aumento da pressão sobre trabalhadores.
Essas denúncias precisam ser investigadas e confrontadas com as condições efetivamente encontradas em cada ocorrência. Mas, diante de uma morte, não é aceitável que questões estruturais sejam descartadas antes mesmo de serem apuradas.
“Nenhuma economia justifica colocar uma vida em risco. Se para reduzir custos uma empresa diminui equipe, deixa de treinar, reduz fiscalização ou aumenta a pressão por produtividade, aquilo que aparece como economia na planilha pode terminar como tragédia no local de trabalho. É exatamente isso que precisamos impedir.”
A declaração sugerida ao presidente do SINTRAMOG não antecipa uma conclusão sobre a causa específica da morte em Itaquaquecetuba, que ainda depende da investigação, mas cobra que eventuais falhas organizacionais também sejam examinadas.
Uma retroescavadeira não admite improvisação
Uma operação com máquina pesada exige protocolos rigorosos. O trabalhador precisa saber onde pode permanecer. O operador precisa ter condições de visualizar ou ser informado sobre a presença de pessoas próximas. A área precisa estar organizada para reduzir pontos cegos e impedir aproximações perigosas.
Quando existe uma vala aberta e uma retroescavadeira trabalhando ao mesmo tempo, qualquer falha pode ser fatal.
Por isso, o SINTRAMOG considera indispensável esclarecer se havia treinamento adequado, supervisão, sinalização, comunicação entre os integrantes da equipe e procedimentos específicos para movimentação da máquina nas proximidades da vala.
Também deve ser esclarecido quem executava o serviço, qual empresa era responsável pela obra e quais eram as condições de contratação e segurança dos trabalhadores envolvidos.
Privatização não pode significar precarização
Para o SINTRAMOG, a morte também precisa servir de alerta para um problema maior. A transferência de serviços públicos para uma lógica predominantemente empresarial não pode transformar redução de despesas e produtividade em prioridades superiores à proteção de quem trabalha.
O Sindicato defende que qualquer denúncia sobre diminuição de equipes, terceirização sem estrutura adequada, falta de treinamento ou deficiência de equipamentos seja investigada pelos órgãos responsáveis.
“Privatização não pode ser sinônimo de precarização. A empresa pode buscar eficiência, pode estabelecer metas e pode organizar sua operação como entender adequado. O limite é a vida. Segurança não é favor ao trabalhador, não é benefício e muito menos desperdício. Segurança é obrigação.”
Uma família perdeu um trabalhador. Agora são necessárias respostas
A investigação deverá estabelecer as responsabilidades pelo ocorrido. Até lá, o SINTRAMOG defende cautela para que ninguém seja condenado antecipadamente, mas também rejeita qualquer tentativa de encerrar o episódio como uma simples fatalidade.
Acidentes de trabalho possuem causas. E quando um acidente termina em morte, identificar essas causas é fundamental não apenas para responsabilizar quem eventualmente tenha falhado, mas principalmente para impedir que outro trabalhador seja a próxima vítima.
Josemar resume a posição que o Sindicato pretende levar ao debate:
“Nós queremos respostas. Queremos saber por que esse trabalhador morreu e o que poderia ter sido feito para evitar essa morte. Uma família perdeu alguém que saiu de casa para trabalhar. O mínimo que a sociedade, as empresas e o poder público devem a essa família é uma investigação séria e medidas concretas para que isso não aconteça novamente.”
O SINTRAMOG acompanhará os desdobramentos do caso e cobrará esclarecimentos sobre as circunstâncias da ocorrência.
Trabalhador não é peça de reposição. Segurança não é custo dispensável. E nenhuma meta, prazo ou economia vale uma vida.


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