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Jean Wyllys vê Congresso contra trabalhadores e alerta para novas estratégias da extrema direita

Ex-deputado critica atuação do Legislativo, alerta para novos riscos de desinformação no WhatsApp e defende mobilização popular pelo fim da escala 6×1
O jornalista, escritor e pré-candidato a deputado federal Jean Wyllys concedeu uma extensa entrevista ao Jornal TVT News Primeira Edição, na qual fez duras críticas ao cenário político brasileiro, ao Congresso Nacional e à extrema direita. Ao longo da conversa, Wyllys abordou temas como corrupção, emendas parlamentares, manipulação digital, violência, o fim da escala 6×1 e a sucessão presidencial, defendendo maior mobilização popular e classificando o atual Parlamento como um “Congresso inimigo do povo brasileiro”. Saiba mais na TVT News.
Um dos principais alertas feitos pelo ex-deputado diz respeito aos novos mecanismos de disseminação de desinformação nas redes sociais. Segundo ele, alterações implementadas pela Meta no WhatsApp podem abrir espaço para a criação de novos esquemas de fake news durante a campanha eleitoral.
Wyllys afirmou que descobriu que seu nome de usuário já havia sido reservado por terceiros na plataforma, assim como os de outras figuras públicas, como Lula, Fernando Haddad e Manuela D’Ávila. Para ele, a situação representa um risco concreto para a integridade do processo eleitoral.
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“O que me preocupa é que, no dia da eleição, essas pessoas podem usar esses perfis com a nossa imagem para disparar desinformação atribuída a nós”, afirmou.
Segundo o jornalista, a possibilidade de utilização desses perfis para espalhar mensagens falsas poderia servir para provocar pânico moral e confundir eleitores em momentos decisivos da disputa. Por isso, informou que já acionou seu advogado para avaliar medidas judiciais contra a Meta e cobrou investigação da Polícia Federal sobre o caso.
Além da preocupação com as plataformas digitais, Jean Wyllys voltou a criticar o tratamento dado pela imprensa e pelas instituições aos casos de corrupção envolvendo lideranças da direita.
Ao comentar as investigações relacionadas às emendas parlamentares conduzidas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, ele afirmou que os mecanismos conhecidos como “emendas Pix” representam um modelo incompatível com os princípios constitucionais da administração pública.
“Se a Constituição não prevê esse tipo de emenda, ainda mais sem transparência, isso é corrupção”, declarou.
Na avaliação de Wyllys, a dificuldade de parte da mídia e da classe política em utilizar a palavra “corrupção” para descrever práticas atribuídas à direita contrasta com o tratamento historicamente dispensado a lideranças progressistas.
Essa crítica apareceu também quando comentou o caso das chamadas “rachadinhas” envolvendo o senador Flávio Bolsonaro. Para o ex-deputado, a própria expressão contribui para suavizar um crime.
“Até as palavras escolhidas tentam dar uma suavizada para o que é corrupção. Flávio aumentou o seu patrimônio por meio da corrupção. Os fatos são evidentes”, afirmou.
Segundo ele, existe uma normalização da corrupção quando os acusados pertencem ao campo conservador, enquanto acusações contra políticos de esquerda costumam receber tratamento muito mais severo.
Outro eixo importante da entrevista foi a atuação do Congresso Nacional. Ao comentar a demora do Senado em analisar a proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1, Wyllys acusou os presidentes da Câmara e do Senado de utilizarem pautas legislativas como instrumento de pressão política contra o governo federal.
Na avaliação do ex-deputado, o bloqueio da proposta contraria a vontade da maioria da população e evidencia um distanciamento entre o Parlamento e os interesses dos trabalhadores.
“Esse Congresso é um Congresso inimigo do povo brasileiro, inimigo do trabalhador”, afirmou.
Para ele, somente uma forte mobilização social poderá alterar esse cenário.
“Não tenho nenhuma esperança de que a gente consiga vencer essa batalha se não conseguir colocar o povo na rua de novo. Toda conquista popular aconteceu sob pressão das ruas”, disse.
Jean Wyllys também criticou o uso de propostas com elevado impacto fiscal como instrumento de desgaste político contra o Executivo. Segundo ele, medidas como a aprovação da aposentadoria especial para agentes comunitários, sem indicação de fonte de custeio, reproduzem estratégias semelhantes às chamadas “pautas-bomba” utilizadas durante o processo que culminou no impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff.
Ao relembrar aquele período, o jornalista fez uma das declarações mais contundentes da entrevista.
“Nós somos um país que não pede desculpas. Até hoje estou esperando as desculpas pelo golpe contra Dilma Rousseff.”
Na avaliação de Wyllys, o Brasil jamais realizou uma autocrítica institucional sobre os acontecimentos de 2016 nem sobre a condução da Operação Lava Jato e seus desdobramentos políticos.
Ele também afirmou que a sociedade brasileira nunca responsabilizou adequadamente aqueles que, em sua visão, contribuíram para a desestabilização democrática do país.
Ao longo da conversa, Jean Wyllys ainda defendeu maior atenção do governo federal ao combate à violência contra as mulheres e criticou a atuação de governos estaduais na área da segurança pública. Segundo ele, a percepção de insegurança precisa ser enfrentada com políticas públicas consistentes, sem recorrer ao aumento da violência policial.
Na parte final da entrevista, o ex-deputado também voltou a manifestar preocupação com o crescimento das plataformas de apostas on-line e sua relação com esquemas de lavagem de dinheiro, destacando operações recentes da Polícia Federal contra organizações criminosas ligadas ao setor.
Ao sintetizar sua avaliação do momento político, Wyllys defendeu uma renovação do Parlamento e afirmou que a eleição de um Congresso comprometido com os direitos sociais será decisiva para o futuro do país.
“O Congresso, se deixado aos seus próprios interesses, vota contra o povo. Quando vota a favor, é porque houve uma pressão irresistível das ruas”, concluiu.


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