O governo do Brasil fez nesta quinta-feira (11) um pedido de desculpas pelos discursos difamatórios e…

Filme “Dark horse” sobre Bolsonaro custou R$ 75 milhões
Perícia anexada a investigação aponta gasto de R$ 75 milhões na produção de Dark Horse, valor é inferior ao negociado entre Flávio e Vorcaro
A cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), intitulada Dark Horse, teve um custo declarado de pouco mais de R$ 75 milhões, segundo documentos anexados a uma investigação que apura suspeitas de desvio de recursos públicos. A informação foi revelada pelo portal Metrópoles e consta em uma perícia privada contratada pela própria produtora responsável pelo longa-metragem. Leia em TVT News.
O documento amplia as discussões em torno do financiamento da produção e lança novos questionamentos sobre a participação do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e sobre a atuação de integrantes da família Bolsonaro nas negociações relacionadas ao projeto.
Segundo a documentação, a produtora Go Up Entertainment declarou gastos totais de US$ 13,3 milhões, valor equivalente a pouco mais de R$ 75 milhões. A empresa é comandada por Karina Ferreira da Gama, também representante do Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade investigada em um inquérito que apura supostos desvios de recursos de um contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo.
A perícia foi anexada ao processo em que o ICB é alvo de investigação. Karina Ferreira da Gama também foi alvo de uma operação da Polícia Civil realizada em 1º de junho.
Gastos declarados no Brasil e nos Estados Unidos
De acordo com a documentação obtida pelo Metrópoles, a produtora informou que R$ 54,2 milhões foram gastos nos Estados Unidos e outros R$ 20,9 milhões no Brasil.
Embora o filme conte com nomes conhecidos do cinema norte-americano, como Jim Caviezel, que interpreta Jair Bolsonaro, parte significativa das gravações ocorreu em cidades brasileiras, entre elas São Paulo.
A perícia aponta ainda que o orçamento inicialmente aprovado para a produção era de US$ 16 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 89,7 milhões. Mesmo assim, a cifra declarada oficialmente permanece abaixo dos montantes que teriam sido discutidos em negociações envolvendo Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro.
Áudios revelam preocupação de Flávio Bolsonaro com dinheiro prometido por Vorcaro
O caso ganhou nova dimensão após reportagens revelarem diálogos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro.
Segundo informações divulgadas anteriormente pelo The Intercept Brasil, conversas obtidas pela reportagem mostram discussões sobre possíveis formas de financiamento do filme.
Em um dos cenários debatidos, o valor previsto para a produção chegaria a US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação utilizada à época. O montante seria pago por meio de parcelas sucessivas.

Posteriormente, Flávio Bolsonaro enviou uma mensagem de áudio a Daniel Vorcaro demonstrando preocupação com atrasos nos pagamentos relacionados ao projeto cinematográfico.
“Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. Tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou para o filme, né?”, afirmou o senador.
Na mesma gravação, Flávio menciona a preocupação com compromissos assumidos junto a integrantes do elenco internacional.
“Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, disse.
O parlamentar confirmou posteriormente a autenticidade do áudio divulgado pela imprensa. Flávio Bolsonaro, porém, sustenta que os recursos destinados ao filme tiveram origem legal e não envolveram contrapartidas.
Valor divulgado pela produtora é inferior aos R$ 134 milhões que foram negociados entre Flávio e Vorcaro
De acordo com os documentos analisados, o valor efetivamente repassado para a produção teria sido menor do que aquele mencionado nas negociações.
Segundo a perícia anexada ao processo, Daniel Vorcaro teria destinado US$ 10,6 milhões ao projeto por meio da empresa Entrepay. O valor corresponde a aproximadamente R$ 61 milhões.
O documento afirma que a origem dos recursos analisados seria privada.
“Quanto à origem dos recursos financeiros, a perícia constatou que os ingressos vinculados ao projeto possuem origem privada, comprovada por contratos de investimento, extratos bancários, documentos de remessa e demais registros financeiros disponibilizados para análise”, registra o relatório elaborado pelo Instituto de Perícia Investigativa (IPI).

Apesar da conclusão apresentada pela perícia contratada pela produtora, o caso continua cercado de questionamentos devido ao contexto das investigações envolvendo o Banco Master e seu controlador.
Documentos revelados pelo The Intercept, no entanto, mostram rota financeira de $24 milhões de dólares, o que correspondia a aproximadamente R$ 134 milhões na cotação cambial do período.
Os documentos contábeis detalham tanto o fluxo de aportes previstos pelo Banco Master quanto as quantias que entraram efetivamente nas contas de um fundo de investimentos sediado no exterior e diretamente vinculado à gestão de “Dark Horse”.
Isto significa que, ou a produtora omitiu o recebimento de parte do valor, ou o restante do dinheiro enviado pelo Banco Master para a família Bolsonaro teria outros fins que não fossem, de fato, a produção da obra cinematrográfica.
Leia mais:
Operação investiga suposta fraude bilionária
Daniel Vorcaro tornou-se alvo da Operação Compliance Zero, investigação que apura uma suposta fraude bilionária no mercado financeiro.
O banqueiro chegou a ser preso no âmbito da operação, que investiga movimentações financeiras consideradas suspeitas por autoridades responsáveis pelo caso.
A revelação de que recursos ligados a Vorcaro foram utilizados para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro trouxe novos elementos para o debate político e jurídico em torno da produção.
A proximidade entre integrantes da família Bolsonaro e o empresário passou a ser observada com maior atenção após a divulgação dos áudios e documentos.
O caso também ocorre em um momento de intensa movimentação política dentro do campo bolsonarista.
Relação com a família Bolsonaro amplia repercussão
A participação de Flávio Bolsonaro nas tratativas relacionadas ao financiamento do filme colocou o senador no centro da controvérsia.
Além de ser um dos principais aliados políticos do pai, Flávio é pré-candidato à presidência da República.
As revelações mostram que o parlamentar acompanhava de perto a situação financeira do projeto e mantinha interlocução direta com Daniel Vorcaro sobre os pagamentos.
PF investiga possível ligação com estadia de Eduardo Bolsonaro nos EUA
Outro desdobramento do caso envolve o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Segundo informações divulgadas recentemente, a Polícia Federal passou a investigar se recursos enviados por Daniel Vorcaro por meio do fundo Heavengate Development podem ter sido utilizados para custear despesas relacionadas à permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Até o momento, não há conclusão oficial das investigações.
A apuração busca verificar a destinação dos recursos e se houve utilização para finalidades diferentes daquelas apresentadas nos contratos relacionados à produção cinematográfica.
O avanço das investigações poderá esclarecer o caminho percorrido pelo dinheiro e o papel desempenhado por diferentes agentes envolvidos no financiamento do projeto.


Comments (0)