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Leandro Iamin escreve livro durante a Copa e aposta na Argentina

Jornalista transforma crônicas publicadas em tempo real durante o Mundial em obra literária e mistura memória, reportagem e paixão pelo futebol
A Copa do Mundo ainda está apenas começando, mas já inspira um projeto literário incomum. Em entrevista ao Jornal TVT News Primeira Edição, o jornalista e escritor Leandro Iamin apresentou o livro Todo o futebol que houver nessa vida, obra que está sendo escrita em tempo real ao longo da competição e que reúne crônicas sobre os jogos, personagens, histórias e memórias de diferentes edições do torneio. Saiba mais na TVT News.
Publicada pela Editora Mórula e atualmente em pré-venda, a obra tem lançamento previsto para outubro e nasce de uma proposta pouco convencional: acompanhar o Mundial dia após dia e transformar os acontecimentos da competição em literatura.
“Quem vai me pautar é a Copa”, resumiu Iamin ao explicar a dinâmica do projeto.
Segundo o jornalista, o livro não será apenas um registro factual do torneio atual. A proposta é utilizar os acontecimentos da competição como ponto de partida para revisitar momentos históricos do futebol mundial, misturando observação contemporânea e memória afetiva.
“Crônica não é só sobre hoje. É sobre ontem, anteontem. A história das Copas”, afirmou. “Vou trazer histórias do passado, mas a ideia é que esse livro seja ao mesmo tempo um diário da Copa de agora e um lugar onde você tem perfilado os personagens, cenários e grandes momentos das Copas anteriores.”
Copa do Mundo: entre o diário e a memória
A proposta do livro dialoga com uma tradição importante da literatura esportiva brasileira. Ao comentar o formato escolhido, Iamin explicou que pretende combinar elementos do jornalismo com a subjetividade típica da crônica.
“Tudo misturado em crônicas que trazem um pouco de memória pessoal”, disse. “A ideia é que seja um livro de crônicas, ao mesmo tempo com uma pitadinha de jornalismo.”
O projeto nasceu a partir de textos que o jornalista costumava publicar em suas redes sociais. O interesse despertado por essas produções chamou a atenção da editora, que sugeriu transformar as publicações em um livro.
“Eu amo escrever, eu adoro escrever”, contou. “Colocava minhas crônicas nas redes sociais e a Editora Mórula me notou e pediu para que essas crônicas, ao invés de serem colocadas na rede social, que é de graça, fossem para o livro e para a prateleira.”
Para Iamin, a experiência representa também a oportunidade de dialogar com autores que marcaram a tradição das crônicas esportivas e jornalísticas no Brasil.
Durante a entrevista, foram citados nomes como Carlos Drummond de Andrade, Stanislaw Ponte Preta e João Saldanha, autores que produziram textos memoráveis durante Copas do Mundo.
A lembrança emocionou o jornalista, que destacou a inspiração representada por esses escritores e cronistas.
Sul-americanos levam vantagem fora da Europa
Além de falar sobre literatura e futebol, Iamin também arriscou palpites sobre os favoritos ao título mundial.
Embora não coloque a seleção brasileira como principal candidata ao troféu, o jornalista acredita que as equipes sul-americanas podem voltar a ter protagonismo em uma Copa disputada fora do continente europeu.
“Em 11 edições de Copas do Mundo fora da Europa, a Europa só ganhou duas e perdeu nove”, observou. “A América do Sul ganhou nove. Então isso não é um número desprezível.”
Segundo ele, existe um padrão histórico que favorece os sul-americanos quando o torneio acontece em outras regiões do planeta.
“Não sei se é por causa de fuso horário, se é ambiente, se é o que acontece com os europeus, mas o desempenho costuma ser pior. Os números provam isso.”
Partindo dessa análise, Iamin apontou a atual campeã mundial como principal favorita.
“Como a Argentina está um passo à frente do Brasil, eu diria que a Argentina é a principal favorita ao título. Depois França, Espanha e Brasil.”
A avaliação coloca a seleção comandada por Lionel Messi no topo das candidatas à conquista do torneio, seguida pelas duas principais potências europeias da atualidade.
Portugal e México podem surpreender
Apesar de enxergar Argentina, França, Espanha e Brasil como as equipes mais fortes, Iamin acredita que algumas seleções podem desempenhar o papel de surpresa positiva do Mundial.
Entre elas, destacou especialmente Portugal.
“Portugal acho que tem chance de ser a surpresa positiva”, afirmou. “Eu acho que Portugal é aquele time que pode quebrar essa escrita.”
Para o jornalista, a atual geração portuguesa chega ao torneio cercada de expectativas e pode finalmente conquistar um título inédito.
A possibilidade ganha contornos ainda mais simbólicos por se tratar daquela que pode ser a última Copa disputada por Cristiano Ronaldo.
“É a última do Cristiano Ronaldo. O Messi já ganhou a dele”, observou.
Outra equipe que recebeu elogios foi o México, tradicional participante de Copas do Mundo, mas que ainda busca alcançar resultados mais expressivos na competição.
“Tenho especial torcida pelo México, pela Colômbia e por Portugal”, afirmou.
Carinho pela Colômbia
Entre as seleções latino-americanas, a Colômbia recebeu uma menção especial de Iamin. O jornalista lembrou a solidariedade demonstrada pelo povo colombiano após a tragédia aérea envolvendo a delegação da Chapecoense, em 2016.
“A minha adesão à seleção colombiana, meu desejo de que a seleção colombiana faça o povo feliz, é tão grande quanto eu quero que o Brasil faça também”, declarou.
A lembrança reforça uma das marcas presentes tanto na entrevista quanto no projeto literário do jornalista: a ideia de que o futebol vai além dos resultados e das estatísticas, funcionando também como espaço de memória, afetos e conexões entre povos.
Essa mesma perspectiva orienta Todo o futebol que houver nessa vida. Ao acompanhar diariamente os acontecimentos do Mundial, Iamin pretende registrar não apenas gols, vitórias e derrotas, mas também as histórias humanas que tornam a Copa do Mundo um dos maiores eventos culturais do planeta.


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