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quinta-feira, 21 de maio de 2026 -

Ancine pode multar produtora de “Dark Horse” em R$ 100 mil

Segundo a produtora Karina, o orçamento já realizado de “Dark Horse” está em cerca de 13 milhões de dólares, dos quais 90% viria de Vorcaro

A produtora Go Up Enterteniment, responsável pelo filme sobre Jair Bolsonaro, “Dark Horse”, pode pagar até R$ 100 mil em multa após Ancine abrir investigação sobre os meios de financiamento do filme. O caso ganhou destaque após o jornal The Intercept divulgar áudio de Flávio Bolsonaro pedindo R$ 134 milhões de reais para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sob a justificativa de pagar as depesas do filme sobre o pai. Leia em TVT News.

Bolsomaster

Após o vazamento do áudio de Flávio e de mensagens revelando que Vorcaro transferiu ao menos US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões conforme a cotação do período, entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações destinadas ao projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro. 

Em um primeiro momento, tanto a produtora Karina Ferreira da Gama como Mário Frias, que está envolvido no projeto, negaram haver recebido dinheiro de Vorcaro para a produção, mesmo após Flávio admitir que as mensagens eram verdadeiras.

Posteriormente, no entanto, Karina assumiu que 90% do filme havia sido financiado com dinheiro do Banco Master e que o orçamento já realizado do filme está em cerca de 13 milhões de dólares.

A Agência Nacional de Cinema (Ancine) investiga a conduta da empresa Go Up Entertainment, produtora nacional responsável pelo filme sobre Bolsonaro.

A Go Up Enterteniment está sujeita à aplicação de uma sanção financeira que varia de R$ 2.000,00 a R$ 100.000,00 devido à ausência de prestação de informações obrigatórias sobre a realização das filmagens em território brasileiro.

A fiscalização da Ancine busca esclarecer o nível de participação da Go Up Entertainment na execução do projeto cinematográfico, cuja estreia nas salas de cinema comerciais está programada para o mês de setembro deste ano.

O órgão regulador visa determinar se a empresa nacional atuou na condição de produtora principal do longa-metragem ou se figurou apenas como prestadora de serviços contratada por uma corporação sediada no exterior.

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Reprodução da conversa com o pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro, do Banco Master, obtida pelo Intercet. Reprodução / Intercept

Diretrizes da Ancine

As diretrizes regulamentares da agência determinam de forma expressa que toda atividade de filmagem de produções de caráter internacional executada no perímetro geográfico brasileiro deve ocorrer sob a estrita tutela e responsabilidade de uma empresa comercial devidamente registrada nos quadros da Ancine.

A legislação estipula que a firma parceira local possui a obrigação legal de notificar formalmente a agência sobre o cronograma de atividades, além de submeter um conjunto de documentos administrativos obrigatórios, incluindo cópias dos contratos de prestação de serviços, o planejamento logístico detalhado das filmagens e a documentação migratória e passaportes dos profissionais estrangeiros alocados na produção.

“Dark horse”, biografia de Bolsonaro, descumpriu regras da Ancine

A despeito do fato de que as gravações de “Dark Horse” ocorreram na cidade de São Paulo no decorrer do ano passado e alcançaram ampla repercussão nos meios de comunicação, a Go Up Entertainment não remeteu nenhum dos documentos exigidos até o momento.

A Superintendência de Fiscalização da Ancine emitiu notificações e ofícios formais direcionados à sede da produtora nos meses de fevereiro e março deste ano, exigindo a comprovação imediata da regularidade do projeto.

Os documentos oficiais expedidos pelo órgão de fiscalização estipularam que a comprovação da comunicação prévia acerca de obras estrangeiras constitui uma obrigação administrativa compulsória.

A norma em questão encontra-se respaldada por uma instrução normativa editada pela própria Ancine que vigora desde o ano de 2008, instituindo os parâmetros legais para o desenvolvimento de produções audiovisuais estrangeiras no espaço geográfico brasileiro.

Omissão da produtora

A Go Up Entertainment manteve-se em silêncio e deixou de responder aos questionamentos enviados pelas autoridades governamentais nos prazos assinalados.

As notificações emitidas pela Ancine alertavam explicitamente a direção da empresa de que a persistência da omissão documental resultaria na lavratura de um auto de infração, culminando nas penalidades financeiras previstas na regulamentação do setor de radiodifusão e cinema.

O silêncio institucional da produtora antecedeu a divulgação midiática de arquivos de áudio nos quais o senador Flávio Bolsonaro realiza cobranças financeiras expressivas destinadas ao financiamento do filme para o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Emendas parlamentares na mira da justiça

Produtora de filme de Bolsonaro, “Dark Horse”, nunca produziu um filme

Os registros documentais da agência de cinema revelam que a Go Up Entertainment apresenta uma trajetória atípica no segmento de mercado em que atua, uma vez que a empresa privada nunca assinou a realização de nenhuma outra produção cinematográfica anterior ao projeto sobre o ex-presidente.

A entrada da responsável pela firma, Karina Gama, na coordenação de “Dark Horse” ocorreu por intermédio do deputado federal Mário Frias (PL-SP), político que desempenhou as funções de secretário especial de Cultura no governo anterior e que assina formalmente o roteiro técnico do longa-metragem.

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Foco principal está em cerca de R$ 61 milhões que teriam sido transferidos para o fundo offshore Havengate, que financiou o filme “Dark Horse”. Foto: Divulgação

Karina Gama também exerce o cargo de presidente do Instituto Conhecer Brasil, entidade que passou a ser investigada no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF).

A linha de apuração foca na destinação de R$ 2 milhões em verbas de emendas parlamentares federais enviadas pelo deputado Mário Frias com a justificativa de financiar o filme “Dark Horse”.

Os dados cadastrais demonstram que o Instituto Conhecer Brasil detém registro ativo na Ancine desde o ano de 2020, contudo, a organização não governamental jamais efetuou o lançamento de nenhuma produção audiovisual no mercado nacional ou no exterior sem ser o filme “Dark Horse”.

Financiamento internacional

O circuito de financiamento econômico por trás de “Dark Horse” exibe ramificações que operam fora das fronteiras nacionais.

Investigações jornalísticas publicadas pelo veículo Intercept Brasil indicaram que o senador Flávio Bolsonaro admitiu ter captado o montante de R$ 61 milhões junto ao empresário Daniel Vorcaro.

Daria para fazer dois “O Agente Secreto” com R$ 61 milhões

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Meme sobre financiamento de “Dark Horse” Foto: Reprodução

O valor de R$ 134 milhões solicitado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a obra sobre seu pai é quase o dobro de orçamentos de “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” juntos. Já o valor que, de fato, teria sido recebido, os R$ 61 milhões, daria para fazer dois Agentes Secretos

O fluxo do capital financeiro de “Dark Horse” deu-se por meio de uma pessoa jurídica vinculada ao ex-banqueiro, com destino final direcionado a um fundo de investimentos privado com sede em território estrangeiro.

O fundo de investimentos em questão possui a gestão sob a responsabilidade direta do advogado de imigração que atende Eduardo Bolsonaro em solo norte-americano.

As autoridades que acompanham o caso apontam suspeitas de que os aportes financeiros intermediados pelo fundo tenham servido para a manutenção financeira do deputado federal e filho do ex-presidente em sua estadia nos Estados Unidos.

Nenhuma justificativa técnica foi apresentada pelos envolvidos para fundamentar a necessidade de triangulação financeira internacional em uma produção “Dark Horse” filmada no Brasil.

Havengate: qual é o fundo que liga Vorcaro, Flávio e Eduardo Bolsonaro

O fundo offshore Havengate Development Fund LP, registrado no estado do Texas, nos Estados Unidos, tornou-se um dos principais focos das investigações que apuram a relação entre o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e a família Bolsonaro.

O veículo financeiro aparece no centro das suspeitas sobre a transferência de recursos destinados oficialmente ao filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas que agora também levantam questionamentos sobre eventual financiamento indireto da permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

A nova linha investigativa da Polícia Federal ganhou força após reportagens do site The Intercept Brasil revelarem documentos, contratos, comprovantes de pagamento e trocas de mensagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, Vorcaro, empresas ligadas ao grupo Entre Investimentos e o fundo americano Havengate.

Flávio Bolsonaro nega qualquer desvio de finalidade dos R$ 60 milhões obtidos com Daniel Vorcaro. Em entrevista à GloboNews, o senador afirmou que todo o dinheiro recebido foi destinado exclusivamente à produção cinematográfica.

“Todos os recursos que foram aportados neste fundo, que é específico para a produção do filme, foram usados integralmente para fazer o filme”, declarou o parlamentar.

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Reprodução da conversa com o pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro, do Banco Master, obtida pelo Intercet. O dinheiro seria para a produção do filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro, “Dark Horse” Reprodução / Intercept

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A declaração, porém, passou a ser confrontada por novos documentos revelados posteriormente pelo Intercept. Segundo a reportagem, Eduardo Bolsonaro assinou contratos ligados diretamente à produção de “Dark Horse” e exerceu funções executivas na estrutura do projeto, contrariando declarações públicas anteriores em que afirmava ter apenas cedido seus direitos de imagem.

O contrato citado pela reportagem, datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente em janeiro de 2024, aponta a empresa GoUp Entertainment como produtora da obra e coloca Eduardo Bolsonaro e o deputado Mario Frias como produtores-executivos do filme.

Os documentos ampliaram as suspeitas sobre a verdadeira função do Havengate dentro da engrenagem financeira que sustentou a produção de “Dark Horse”. Segundo os documentos obtidos pelo Intercept Brasil, os recursos ligados a Vorcaro teriam sido enviados inicialmente pela empresa Entre Investimentos e Participações, comandada pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”.

A empresa aparece no radar da Polícia Federal em investigações sobre lavagem de dinheiro, fraudes financeiras e operações consideradas suspeitas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Relatórios do Coaf classificaram movimentações da Entre como indicativas de “conta de passagem”, expressão utilizada para descrever estruturas usadas para circular dinheiro sem relação clara com a atividade econômica declarada.

A PF investiga se a Entre foi utilizada como intermediária para remeter valores ao exterior após dificuldades operacionais enfrentadas pelo próprio Banco Master para executar transferências internacionais.

Mensagens obtidas pelos investigadores indicam que Vorcaro teria orientado operadores financeiros a realizar os pagamentos “via Entre”, o que acabou direcionando os recursos para o fundo Havengate nos Estados Unidos.

A partir daí, investigadores passaram a questionar quem seriam os verdadeiros beneficiários finais da estrutura financeira.

Eduardo no centro das suspeitas

Eduardo Bolsonaro nega ter recebido recursos do fundo ou ter exercido controle sobre a estrutura financeira utilizada no projeto do filme “Dark Horse”. Em manifestações públicas, afirmou que apenas participou do início da produção do filme e posteriormente deixou a gestão da obra.

“Passei então a ser somente uma pessoa que assinou sua cessão de direitos autorais”, afirmou.

As investigações sobre o filme “Dark Horse”, no entanto, ocorrem paralelamente ao acompanhamento da permanência de Eduardo nos Estados Unidos.

O ex-deputado vive no país desde fevereiro de 2025. Na semana passada, a Procuradoria-Geral da República pediu sua condenação por coação no curso do processo, acusando-o de articular, do exterior, ações para pressionar autoridades brasileiras e interferir no julgamento envolvendo Jair Bolsonaro.

Em 2025, o próprio Jair Bolsonaro transferiu R$ 2 milhões ao filho nos Estados Unidos, movimentação que o Supremo Tribunal Federal considerou indício relevante da articulação política e financeira entre pai e filho.

Agora, investigadores tentam esclarecer se parte dos recursos ligados ao Havengate também pode ter servido para sustentar despesas pessoais ou políticas de Eduardo Bolsonaro em território americano.

Cooperação internacional e dificuldades de rastreamento

Especialistas ouvidos por veículos de imprensa destacam que fundos offshore como o Havengate são estruturas complexas justamente porque dificultam a identificação dos beneficiários reais dos recursos.

Os Estados Unidos não aderiram ao sistema internacional CRS, mecanismo da OCDE que prevê troca automática de informações financeiras entre países. Isso torna mais difícil para autoridades brasileiras acessarem dados bancários de estrangeiros que movimentam recursos em solo americano.

Para avançar nas investigações, o Supremo Tribunal Federal poderá depender de pedidos formais de cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos, via Departamento de Justiça americano (DOJ), utilizando os mecanismos previstos no tratado MLAT.

A eventual quebra de sigilo bancário do Havengate dependeria de autorização judicial nos dois países.

Enquanto isso, a crise política provocada pelas revelações continua ampliando o desgaste da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Pesquisas recentes já apontam queda nas intenções de voto do senador após a divulgação dos áudios e documentos envolvendo Daniel Vorcaro, o Banco Master e o financiamento do filme “Dark Horse”.

O trailer do filme “Dark Horse”

O material de divulgação de “Dark Horse” exibe cenas captadas em locações em território nacional, porém estruturadas com diálogos falados na língua inglesa e sustentadas por um corpo de profissionais e atores predominantemente estrangeiros.

O papel principal de Jair Bolsonaro é interpretado pelo ator de nacionalidade norte-americana Jim Caviezel, conhecido no mercado de cinema por sua atuação no filme “A Paixão de Cristo”.

A análise preliminar efetuada pelas áreas técnicas de fiscalização identificou a inserção da logomarca institucional da Go Up Entertainment nos créditos iniciais do trailer de divulgação de “Dark Horse”. Essa configuração visual serve como indício técnico de que a operação se enquadra na modalidade de filmagem de produção estrangeira executada com o suporte de uma produtora local cadastrada, atraindo a obrigatoriedade de sujeição total às regras de controle editadas pela Ancine.

A agência governamental pontuou que os resultados das apurações administrativas em curso serão levados ao conhecimento público e que as punições cabíveis serão adotadas em caso de confirmação das irregularidades.

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