Confira a lista dos 26 jogadores da Seleção Brasileira que vão disputar a Copa do…

Flávio Bolsonaro confirma reunião com Vorcaro após prisão

“Estive com ele mais uma vez, quando ele usava monitoramento eletrônico”, Flávio Bolsonaro sobre Daniel Vorcaro do Banco Master
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou publicamente, nesta terça-feira (19), que realizou uma visita pessoal a Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, logo após este ter sido liberado do cárcere preventivo sob condições de monitoramento eletrônico. A reportagem do Metrópoles publicada hoje havia apurado o fato, que foi confirmado por Flávio. Leia em TVT News.
O encontro ocorreu na residência de Vorcaro, localizada na cidade de São Paulo, no encerramento do ano de 2025. Segundo Flávio, o deslocamento interestadual para encontrar Vorcaro teve como meta o encerramento definitivo das tratativas que envolviam a captação de recursos financeiros para a produção do documentário “Dark Horse”, obra audiovisual concebida como uma biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nesta terça, Flávio estava em uma reunião de alinhamento político que congregou aproximadamente 70 parlamentares, entre deputados federais e senadores pertencentes ao Partido Liberal (PL).
O encontro partidário foi convocado pela cúpula da legenda com o intuito de conter o desgaste e reorganizar as diretrizes da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, impactada diretamente pela divulgação de mensagens escritas e arquivos de áudio nos quais o senador cobrava repasses de verbas do ex-banqueiro.
“Estive com ele mais uma vez, quando ele usava monitoramento eletrônico“, Flávio sobre Vorcaro
Após a reunião, ocorreu uma coletiva de imprensa, que foi quando o senador detalhou a linha temporal dos acontecimentos e justificou o motivo que o levou a comparecer ao imóvel do investigado pela Polícia Federal, destacando o momento em que tomou ciência da gravidade das apurações criminais:
“Final de 2025 foi aquele áudio que vocês ouviram. No dia seguinte, ele foi preso. Neste momento, foi a virada de chave, entendemos que a situação era mais grave. Estive com ele mais uma vez, quando ele usava monitoramento eletrônico”.
Dando continuidade às explicações sobre os motivos que o levaram a se deslocar até a capital paulista para se encontrar com um cidadão que cumpria medidas cautelares restritivas impostas pelo Poder Judiciário, Flávio Bolsonaro complementou os termos do diálogo mantido na residência:
“Fui sim até o encontro dele. Ele estava restrito e não podia sair do estado de São Paulo, então fui até ele. (…) Eu fui sim ao encontro dele para botar um ponto final nessa história. Dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investido há muito mais tempo e o filme não correria risco”.
O senador insistiu perante os profissionais de comunicação que o objeto exclusivo de todas as comunicações mantidas com Daniel Vorcaro, tanto pelas plataformas de mensagens quanto de forma presencial, restringia-se ao patrocínio da produção cinematográfica:
“Qualquer contato meu com esta pessoa foi única e exclusivamente para tratar do filme do meu pai que está ali faltando os últimos detalhes para ser concluído”, afirmou Flávio Bolsonaro.
Quando Vorcaro foi preso? Relembre
A primeira detenção de Daniel Vorcaro foi efetuada pela Polícia Federal em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.
Os agentes federais realizaram a abordagem no instante em que o então controlador do Banco Master efetuava os procedimentos para embarcar em uma aeronave executiva particular com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Um dia antes da prisão, Flávio enviou mensagem a Vorcaro
Um dia antes da deflagração da operação policial, em 16 de novembro, Flávio Bolsonaro havia encaminhado mensagens cobrando a quitação de repasses pendentes para o projeto audiovisual. Dois dias após a prisão, o Banco Central decretou a liquidação da respectiva instituição financeira.
A permanência de Vorcaro em regime fechado durou até 29 de novembro de 2025, data em que uma ordem expedida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), com sede em Brasília, concedeu o direito ao cumprimento de prisão domiciliar.
A decisão judicial impôs uma série de condicionantes, tais como a proibição de deixar os limites territoriais do estado de São Paulo, o comparecimento periódico em juízo e a obrigatoriedade do uso de tornozeleira eletrônica para monitoramento posicional. Foi justamente durante a vigência desse conjunto de restrições que o senador Flávio Bolsonaro realizou a visita presencial ao imóvel do empresário.
Posteriormente, em 4 de março de 2026, as instâncias judiciais determinaram o retorno do ex-banqueiro ao sistema prisional. A nova ordem de custódia preventiva foi exarada pelo ministro André Mendonça, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF).
O magistrado fundamentou a necessidade de restrição total da liberdade fundamentando-se no risco concreto de interferência no andamento das investigações. As diligências policiais subsequentes apontaram que o empresário mantinha uma estrutura de segurança privada paralela, suspeita de acessar dados sigilosos da própria Polícia Federal.
O comando desse grupo armado era atribuído a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, indivíduo identificado nos relatórios policiais pelo codinome “Sicário”.
Desgaste político na bancada do PL
A reunião que antecedeu as declarações do senador evidenciou o clima de contrariedade que atinge setores do Partido Liberal.
Sob a condição de sigilo, integrantes do partido relataram incômodo com a estratégia de comunicação adotada até o momento. As críticas internas apontam para a ocorrência de versões conflitantes apresentadas por aliados próximos e a falta de uma linha de defesa coordenada para fazer frente aos fatos publicados originalmente pelo site Intercept Brasil.
Mudou de ideia? Após negar, Flávio assumiu troca de mensagens com Vorcaro
O principal fator de ruído na bancada decorreu da mudança de narrativa adotada pelo próprio senador. Em um primeiro momento, Flávio Bolsonaro negou a existência de vínculos com o ex-banqueiro, posicionamento que foi revisto após a veiculação dos áudios das cobranças financeiras. A ausência de sincronia nas respostas públicas também envolveu outros membros da legenda.
O deputado federal Mário Frias (PL-SP), ligado diretamente ao desenvolvimento do longa-metragem, chegou a rechaçar publicamente o recebimento de verbas de Vorcaro no instante em que o senador já havia admitido a busca por aportes financeiros junto ao investigado.
A repercussão de uma entrevista recente concedida por Flávio Bolsonaro ao canal de jornalismo por assinatura GloboNews também colheu avaliações negativas nos bastidores do Congresso Nacional.
Na visão de parlamentares experientes do PL, as respostas dadas pelo senador de forma improvisada, sem o suporte de uma assessoria de crise estruturada, falharam em sanar as dúvidas técnicas e acabaram por amplificar o foco de desgaste sobre a articulação partidária para as eleições presidenciais.
A preocupação com o direcionamento político alcançou influenciadores e figuras públicas historicamente ligadas ao ecossistema da direita. Paulo Figueiredo, comentarista alinhado ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), externou manifestações públicas cobrando correção nos rumos da condução política e de comunicação do grupo.
Em uma transmissão posterior na internet, Eduardo Bolsonaro admitiu que o núcleo familiar e os assessores enfrentaram dificuldades operacionais para articular uma resposta célere, justificando o atraso como uma medida necessária para evitar a produção de novas contradições discursivas.
Nova estratégia traçada pela cúpula partidária em Brasília
Diante do cenário de crise, a cúpula do Partido Liberal, sob a coordenação do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, em conjunto com o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), traçou um plano de ação imediato para reposicionar o pré-candidato na arena pública.
O encontro contou com as presenças de lideranças expressivas, incluindo os líderes de bancada Carlos Portinho e Sóstenes Cavalcante, o vice-presidente da Câmara dos Deputados, Altineu Côrtes, e o senador Efraim Filho.
A orientação estabelecida pela Executiva Nacional determina o abandono da postura reativa e o início de uma agenda de deslocamentos e aparições públicas. A meta fixada consiste em impedir o isolamento político do senador e retomar a interlocução direta com setores organizados da sociedade civil e do empresariado nacional.
Como parte do cumprimento dessa nova programação institucional, Flávio Bolsonaro agendou uma viagem oficial para a cidade de São Paulo.
O roteiro de compromissos prevê a realização de reuniões de caráter econômico com representantes e operadores do mercado financeiro situados na região da Avenida Brigadeiro Faria Lima, polo que concentra sedes de fundos de investimento e corporações bancárias.


Comments (0)