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terça-feira, 29 de setembro de 2026 -

Fux suspende decisão de Dino sobre Nossa Senhora Aparecida a 5 dias da eleição

Decisão de Fux vale até análise do plenário do STF, prevista para quarta-feira (30)

A cinco dias do primeiro turno das eleições presidenciais, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu na noite desta segunda-feira (28) a decisão do colega Flávio Dino que havia liberado publicações nas redes sociais sobre Nossa Senhora Aparecida.

A medida restabelece, em caráter provisório, a ordem do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinava a remoção de conteúdos que associam o candidato Flávio Bolsonaro (PL) à retirada do título de padroeira do Brasil. As plataformas digitais têm 24 horas para cumprir a determinação, sob pena de multa diária de R$ 50 mil por provedor. Entenda o caso dos posts sobre Nossa Senhora Aparecida com a TVT News.

A decisão de Fux não entra no mérito da liberdade de expressão nem define se a ordem original do TSE foi correta. O ministro suspendeu os efeitos da decisão de Dino até que o plenário do STF analise o caso, em sessão que deve ocorrer nesta quarta-feira (30), conforme sinalizou o presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

Entenda o caso Nossa Senhora Aparecida no STF

Fux determina suspensão dos posts sobre Nossa Senhora Aparecida

Na decisão, Fux afirmou que não definiu quem tem razão sobre os limites da liberdade de expressão e lembrou do inquérito das fake news. “Sob esse ângulo, medidas das mais autoritárias foram adotadas no âmbito dos inquéritos das fake news (Inq 4.781) e das milícias digitais (Inq 4.874) sob o pretexto de coibir a desinformação, inclusive de coerção pessoal (prisão) e patrimonial”, diz trecho da decisão.

O ministro também argumentou que a decisão de Dino suspendeu uma tutela concedida pela Justiça Eleitoral às vésperas do primeiro turno e permitiu a circulação de conteúdos que o TSE considerou baseados em uma informação sem respaldo nos fatos. Fux determinou que as plataformas digitais interrompam qualquer medida de execução da decisão de Dino e restabeleçam, em até 24 horas, a situação anterior, seguindo as ordens expedidas por Mendonça no âmbito do TSE.

Dino havia enviado a decisão para plenário

Ao derrubar a ordem de Mendonça no domingo (27), Dino não apenas liberou as publicações, mas também encaminhou o caso para análise do plenário do STF. O ministro argumentou que o tema deve ser examinado pelo colegiado diante dos impactos sobre a Justiça Eleitoral e sobre a disputa presidencial em curso.

Fachin marcou plenário para quarta-feira para decidir sobre postagens de Nossa Senhora Aparecida

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, sinalizou que deve levar o caso a deliberação pelo plenário nesta quarta-feira (30). A expectativa é de que a Corte analise se os conteúdos são ou não protegidos pela liberdade de expressão e se a ordem original do TSE foi correta.

Qual foi post de Tabet sobre Nossa Senhora

Após a decisão de Dino, o humorista Antonio Tabet republicou o conteúdo em sua conta no X (antigo Twitter). “Flavio Dino acabou de derrubar a decisão de André Mendonça, preservando a liberdade de expressão e a liberdade religiosa dos que defendem Nossa Senhora Aparecida”, afirmou Tabet na ocasião. “Como será impossível restabelecer a postagem que foi apagada, vou publicá-la novamente. E conto com vocês para fazê-la chegar mais uma vez a todos que a viram e aos que não puderam vê-la”.

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Publicação do humorista Antonio Tabet, reproduzindo a postagem inicial no X, em que ele cita “família miliciana” e não Flávio Bolsonaro – Reprodução X em 29 de setembro

O que Antonio Tabet disse na publicação original

Em publicação no X, Tabet escreveu: “A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!”. A postagem original, excluída pela rede social, chegou a 195 mil visualizações, 2 mil compartilhamentos e cerca de 11 mil curtidas. A nova versão do mesmo post superou o engajamento do texto original, com mais de 450 mil visualizações, 17 mil compartilhamentos e mais de 53 mil curtidas.

Em entrevista ao UOL News, Tabet afirmou que inicialmente pensou que a notícia de que sua postagem seria retirada do ar fosse uma brincadeira. Depois, segundo ele, o sentimento se transformou em revolta.

O humorista também questionou a velocidade com que a decisão de Mendonça alcançou mais de mil publicações. Segundo Tabet, pessoas que acompanham o processo levantaram dúvidas sobre a possibilidade de análise individual de todos os conteúdos no intervalo entre o pedido e a decisão.

O que diz a defesa de Tabet

A defesa de Antonio Tabet divulgou nota à imprensa repudiando veementemente a decisão liminar que determinou a remoção da publicação. Segundo os advogados, a ordem judicial atinge uma manifestação que “em momento algum citou o nome do candidato Flávio Bolsonaro”. A nota afirma que a principal fragilidade jurídica da decisão reside na presunção de que uma crítica genérica teria um destinatário certo, “referendando um curioso fenômeno de autoidentificação”.

Os advogados também argumentam que a liberdade de expressão e a crítica política, por mais ácidas ou incômodas que sejam, constituem elementos ordinários e constitucionalmente protegidos do debate democrático. “Tratar uma opinião incisiva e uma hipérbole retórica como se fossem a divulgação de um fato objetivamente falso subverte a finalidade do combate à desinformação, transformando o aparato judicial em um escudo de conveniência contra o livre escrutínio público”, diz o texto.

A defesa informou que serão interpostos todos os recursos cabíveis para reverter a decisão e resguardar o direito à livre manifestação. “O ambiente democrático exige resiliência, sendo no mínimo irônico que a máquina jurisdicional precise ser acionada em caráter de urgência para proteger a suscetibilidade de quem, ao que tudo indica, ofende-se ao ver a própria insegurança projetada na opinião pública”, conclui a nota.

Repercussões: Deputada Tabata Amaral grava vídeo explicando

A deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) gravou um vídeo explicando o caso e compartilhou em suas redes sociais. No vídeo, ela contextualiza a polêmica sobre a suposta retirada do título de padroeira e os desdobramentos judiciais. Tabet também compartilhou o vídeo da deputada em sua conta no X.

Veja o vídeo de Tabata Amaral sobre Nossa Senhora Aparecida

Como tudo começou

A polêmica em torno de Nossa Senhora Aparecida começou com a circulação de apurações jornalísticas sobre a preocupação da Igreja Católica sobre o crescimento da perseguição ao culto de Nossa Senhora Aparecida.

A jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews, afirmou, em um dos programas do canal, que setores da Igreja Católica estão preocupados com um movimento para tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

A origem da informação está relacionada ao Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado pelo então deputado federal Victório Galli, de Mato Grosso. A proposta alterava a Lei 6.802/1980 e previa substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O projeto foi arquivado posteriormente, mas ainda consta na página da Câmara dos Deputados.

Galli, hoje no PL, faz campanha e aparece ao lado de Flávio Bolsonaro.

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A discussão ganhou força nas redes sociais depois de uma fala de Flávio, feita em agosto, na qual afirmou que, se eleito, um de seus primeiros atos seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A declaração passou a ser relacionada, nas redes, ao projeto antigo de Galli.

Flávio Bolsonaro, depois da repercussão, negou que tenha intenção de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida e classificou a associação como fake news. Mas atacou a CNBB, que respondeu em nota dizendo que não se combate informações com mentiras

Apuração da jornalista Daniela Lima enfraquece a tese de fake news

A jornalista Daniela Lima revelou no programa Pulso Político, do Canal UOL, que a Igreja Católica no Brasil já vinha monitorando havia anos episódios de ataques e tentativas de deslegitimar a devoção a Nossa Senhora Aparecida. Segundo a apuração, documentos e estudos debatidos internamente desde 2019 registram preocupações com a intolerância religiosa e o avanço do discurso religioso na política.

Daniela Lima destacou que a fala de Flávio Bolsonaro em agosto deste ano, de que decretaria “Jesus Cristo o Senhor do Brasil”, soou como um “apito de cachorro” para a cúpula da Igreja Católica. A jornalista também citou textos internos que tratam do “apagamento” de imagens, da acusação de “idolatria” dirigida aos católicos e do risco de erosão da laicidade do Estado.

Daniela também relacionou esse acompanhamento a debates sobre a chamada “teologia do domínio” e sobre a influência de determinados discursos religiosos na política e no Estado. Segundo ela, a fala de Flávio Bolsonaro sobre “decretar” o Brasil como pertencente a Jesus Cristo chamou atenção dentro desse contexto.

A apuração do UOL também registrou que a Igreja vinha discutindo o uso político da religião e os riscos para a laicidade do Estado.

Papa diz que extrema direita não é expressão autêntica do cristianismo

Em meio à discussão brasileira, o papa Leão XIV afirmou nesta segunda-feira (28), durante uma coletiva no avião que o levava de volta a Roma após viagem à França, que a associação entre posições de extrema direita e determinadas formas de religião não representa uma expressão autêntica do cristianismo.

A declaração ocorreu após uma pergunta sobre o crescimento de partidos de extrema direita na Alemanha. O pontífice defendeu que os valores do Evangelho estejam relacionados à compreensão e à compaixão, e não ao ódio e à divisão.

Em Belém, segurando imagem de Nossa Senhora de Nazaré, Lula defende a padroeira do Brasil

Durante ato de campanha em Belém (PA) nesta segunda-feira (28), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ergueu uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré diante da multidão e declarou que, enquanto for presidente, ninguém vai “avacalhar” com Nossa Senhora Aparecida. “As pessoas precisam aprender a respeitar todas as religiões, principalmente as religiões de Matriz Africana. Ninguém é dono da verdade”, disse Lula.

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, com a imagen de Nossa Senhora de Nazaré, durante ato de campanha em Belém – Foto: Ricardo Stuckert.

A imagem foi entregue no palco pelo ex-governador do Pará Helder Barbalho (MDB), que ofereceu a santa em nome “de todos os paraenses devotos de Nossa Senhora de Nazaré”. A primeira-dama Janja também discursou no evento e afirmou que “enquanto a gente quer o fim das bets, o outro lado quer o fim da Padroeira do Brasil”.

Veja o vídeo de Lula com Nossa Senhora, em Belém

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