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terça-feira, 29 de setembro de 2026 -

Ex-sócio de Flávio Bolsonaro relata despesas, Rolex e lobby no STF

Documentos reunidos por ex-sócio do senador apontam pagamentos de despesas pessoais, presente de R$ 305 mil e lobby com Kassio Nunes Marques no STF

Uma reportagem do PlatôBR, assinada pelo jornalista Rodrigo Rangel, reúne mensagens, áudios, documentos, notas fiscais e fotografias divulgadas pelo empresário Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio e antigo amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL). O material revela lobby de Flávio durante o governo do pai. Leia em TVT News.

O material relata episódios envolvendo despesas pessoais pagas por pessoas próximas ao parlamentar, presentes de alto valor e uma suposta intermediação de interesses junto ao gabinete do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A reportagem também aborda aspectos da vida pessoal de Flávio Bolsonaro, incluindo encontros com garotas de programa, a relação entre dinheiro, influência política e pessoas que circulavam próximas ao então governo de Jair Bolsonaro.

Segundo o PlatôBR, Santini, ex-sócio de Flávio, manteve uma relação de amizade com ele durante cerca de duas décadas e foi seu sócio na Bolsotini Chocolates e Café Ltda., franquia da Kopenhagen que funcionou na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Empresa de ex-sócio de Flávio envolvida em esquema de rachadinhas

A empresa Bolsotini Chocolates e Café Ltda apareceu nas investigações sobre o caso das chamadas rachadinhas, quando Flávio ainda era deputado estadual. A sociedade terminou de forma conflituosa, e Santini passou a cobrar do senador valores que, segundo ele, permaneciam pendentes.

Em 2023, o ex-sócio encaminhou uma notificação extrajudicial cobrando R$ 1,4 milhão. O documento, conforme a reportagem, apontava prejuízos relacionados ao encerramento da empresa e detalhava os investimentos realizados pelos sócios.

Flávio não teria respondido à notificação. A disputa financeira passou a envolver também mensagens, documentos e outros registros que Santini dizia possuir sobre o senador.

O escritório de Willer Tomaz foi acionado encerrar o conlfito com o ex-sócio e pagar os valores que Alexandre Santini cobrava. Como estava sem falar com Flávio, Santini enviou uma mensagem a Fernanda Bolsonaro. 

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Print de conversa de Santini com Fernanda Bolsonaro, esposa de Flávio – Foto: Reprodução/Platô

Despesas e presentes pagos por pessoas próximas

Entre os documentos apresentados pelo PlatôBR estão registros de despesas pessoais de Flávio Bolsonaro que teriam sido pagas por pessoas de seu círculo de relações.

Um dos casos citados envolve equipamentos para uma academia instalada na residência do senador em Brasília. Segundo a reportagem, as notas fiscais somariam mais de R$ 90 mil e teriam sido pagas pelo advogado Alan Belaciano.

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Notas fiscais apresentadas pelo ex sócio do Flávio Bolsolnaro – Foto: Reprodução/Platô

O mesmo advogado aparece em outro episódio de maior valor. De acordo com o PlatôBR, Belaciano comprou, em fevereiro de 2022, um Rolex Submariner Date de ouro branco por R$ 305 mil.

A nota fiscal foi emitida em nome do advogado, mas mensagens reunidas por Santini indicariam que o relógio seria destinado a Flávio Bolsonaro.

A reportagem também cita outras despesas, como reparos na residência, a compra de uma televisão de 75 polegadas e mensalidades de uma academia frequentada pelo senador e sua mulher.

Em manifestação anterior mencionada pelo próprio material, Flávio teria afirmado que a compra dos equipamentos de academia havia sido feita por um amigo como um “empréstimo pessoal”, que estaria sendo pago.

O conjunto desses episódios é apresentado pelo PlatôBR como parte de uma rede de relações em que amigos e parceiros próximos de Flávio teriam assumido despesas particulares e oferecido benefícios de alto valor.

Relações com pessoas interessadas no governo

A reportagem também descreve a circulação de advogados, empresários e lobistas próximos a Flávio Bolsonaro durante o período em que Jair Bolsonaro ocupava a Presidência da República.

O Flávio teria sido procurado por pessoas interessadas em solucionar questões em diferentes áreas da administração pública. O material menciona ministérios, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e tribunais.

Um dos locais citados é uma casa no Lago Sul, em Brasília, que teria funcionado como ponto de encontro de pessoas interessadas em tratar de negócios e demandas junto ao governo. Entre os frequentadores estava Alan Belaciano, que mantinha proximidade com Flávio.

A reportagem afirma ainda que relações entre integrantes desse círculo e empresários interessados em negócios com o governo se intensificaram durante a pandemia de Covid-19. O texto menciona, nesse contexto, contatos com empresários envolvidos na tentativa de contratação da vacina Covaxin pelo Ministério da Saúde.

Lobby com Kassio Nunes Marques no STF

O trecho de maior impacto institucional apresentado pela reportagem envolve o ministro Kassio Nunes Marques, do STF.

De acordo com o PlatôBR, no fim de 2023, durante a disputa financeira entre Flávio e Santini, o ex-sócio enviou uma mensagem ao senador afirmando que ele teria tratado diretamente com Kassio sobre os interesses de um cliente que possuía um processo no gabinete do ministro.

Santini também mencionou a participação de Alan Belaciano no caso e um jantar que teria sido articulado com o chefe de gabinete do magistrado.

Flávio teria respondido à mensagem marcando uma reunião com Santini em seu gabinete.

Os termos da conversa não foram divulgados. Posteriormente, Santini comunicou a pessoas com quem havia compartilhado informações que o conflito estaria encerrado.

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