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Empresa de produtora de Dark Horse ocultou de contrato nome de ‘integrante relevante do PCC’

Documento assinado por Karina Gama, dona da produtora de Dark Horse, previa contrato de R$ 12 milhões para instalação de pontos de Wi-Fi em São Paulo
A empresa de Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora do filme Dark Horse e presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB), firmou um contrato de R$ 12 milhões com uma companhia posteriormente apontada pelo ministro Flávio Dino como ligada a um “integrante relevante do PCC”. As informações foram reveladas pelo ICL Notícias, em reportagem de Juliana Dal Piva e Cleber Lourenço. Leia em TVT News.
O acordo, assinado em 2024, envolvia a Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., de propriedade de Alex Leandro Bispo dos Santos. O contrato previa a implantação, operação e manutenção de 2 mil pontos de internet gratuita nas zonas sul e oeste de São Paulo, dentro do programa Wi-Fi Livre SP.
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Nome do responsável não aparecia na primeira versão
Segundo o Ministério Público de São Paulo, a primeira versão do contrato não apresentava o nome completo do representante da empresa. O responsável aparecia apenas como “Alex”. Posteriormente, Alex Leandro Bispo dos Santos foi identificado e o documento precisou ser refeito.
Santos foi apontado por Dino, com base em informações de órgãos de inteligência policial e do Ministério Público, como “integrante relevante do PCC”. Ele também responde a uma acusação de feminicídio.
Após a prisão de Santos, a empresa passou para o nome de Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes. Segundo o MP-SP, ela morava no mesmo endereço do antigo proprietário. O órgão levantou suspeitas de ocultação de pessoas e blindagem patrimonial.
A empresa foi criada em 2020 como ALBS Consultoria Empresarial, passou a se chamar Favela Conectada em 2024 e posteriormente adotou o nome Urban Connect Serviços e Tecnologia.
A investigação também identificou repasses ligados ao contrato. Em fevereiro de 2025, a empresa pediu aumento do limite para transferências bancárias alegando que começaria a receber valores do acordo com o ICB. No dia seguinte, recebeu R$ 611,1 mil do instituto. Em abril, outro repasse chegou a R$ 666,6 mil.
PF investiga circulação de recursos do ICB
O contrato fazia parte da atuação do ICB na instalação e manutenção de pontos gratuitos de internet em regiões periféricas de São Paulo. O acordo firmado com a Prefeitura tinha valor inicial de R$ 108 milhões e foi ampliado posteriormente por aditivos.
A Polícia Federal passou a investigar a movimentação financeira relacionada ao instituto e identificou a Urban Connect entre as empresas que receberam recursos. Segundo os documentos citados pelo ICL, a companhia recebeu R$ 7,87 milhões e passou a ser considerada relevante para a apuração.
A investigação também analisa a circulação de dinheiro envolvendo a Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse e empresa de Karina Gama. De acordo com a PF, a produtora aparece como destinatária de valores provenientes de pessoas e empresas ligadas ao núcleo investigado.
O ICL ressalta que o contrato firmado com a empresa de Alex Santos não tem relação direta com a produção de Dark Horse.
Karina Gama nega irregularidades. A defesa afirma que a empresa foi escolhida por sua atuação local e que, no momento da contratação, apresentava documentação fiscal regular. Também declarou que a empresária continua colaborando com as autoridades e que as investigações não representam uma condenação.


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