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Paridade em Tudo cobra 50% de mulheres no primeiro escalão dos governos

Paridade em Tudo cobra compromisso de candidaturas com 50% de mulheres no primeiro escalão
Quantas mulheres estarão nos próximos governos? Essa é a pergunta que a campanha Paridade em Tudo, lançada pela Rede A Ponte, com coparticipação do Instituto Foz, pretende colocar no centro das eleições de 2026. Leia em TVT News.
A iniciativa nacional e suprapartidária cobra das candidaturas à Presidência da República e aos governos dos 26 estados e do Distrito Federal o compromisso de garantir pelo menos 50% de mulheres entre os titulares de ministérios e secretarias estaduais.
A mobilização parte de um cenário de desigualdade na ocupação dos espaços de poder. As mulheres são maioria da população brasileira, mas ainda representam uma parcela menor entre as pessoas que disputam cargos eletivos e, consequentemente, entre aquelas que podem chegar às estruturas de decisão política.
De acordo com o Censo Demográfico de 2022, as mulheres representam 51,5% da população brasileira, o equivalente a mais de 104,5 milhões de pessoas. Entre as 20.560 candidaturas consideradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o cálculo da distribuição de recursos partidários e eleitorais em 2026, porém, 7.165 eram de mulheres, o equivalente a 34,85%.
Para a campanha, a discussão sobre participação feminina não deve se limitar à quantidade de candidatas nas eleições. A proposta é acompanhar também quem ocupará os principais cargos de decisão caso essas candidaturas sejam eleitas.
Campanha pergunta quantas mulheres estarão nos governos
Em setembro, as campanhas presidenciais e estaduais começaram a ser procuradas simultaneamente pela organização. Todas recebem a mesma pergunta, o mesmo documento e o mesmo prazo para apresentar uma resposta.
O primeiro resultado da mobilização será divulgado em 14 de setembro. As respostas serão reunidas em um mapa interativo que permitirá consultar a posição de cada candidatura diante da proposta.
>> O mapa interativo será divulgado aqui
A plataforma deverá indicar quais candidaturas assinaram o compromisso, quais recusaram expressamente, quais ainda estão dentro do prazo para responder, quais não apresentaram resposta e quais manifestações permanecem em processo de verificação.
A intenção é transformar a posição das candidaturas em uma informação pública que possa ser consultada durante o processo eleitoral. Dessa forma, eleitoras e eleitores poderão saber quais postulantes assumiram o compromisso de ampliar a presença feminina nas estruturas de governo.
“Antes de pedir o voto das mulheres, quem pretende governar precisa dizer qual espaço elas terão nas decisões. Paridade não é favor nem concessão. É divisão democrática do poder”, afirma Lauana Chantal, gestora de Mobilização e Articulação Política da Rede A Ponte.
Segundo ela, a campanha pretende fazer com que a resposta das candidaturas possa ser comparada e cobrada posteriormente. “A campanha quer transformar essa resposta em uma informação pública, comparável e, principalmente, passível de cobrança depois das eleições”, acrescenta.
Compromisso prevê manutenção da paridade durante o mandato
A proposta não se restringe à formação inicial dos governos. Ao aderir à campanha, a candidatura se compromete a assegurar pelo menos 50% de mulheres no primeiro escalão desde a composição inicial da administração e a manter esse percentual durante todo o mandato.
O compromisso também deve ser observado em eventuais substituições de integrantes do governo e em reformas administrativas. A proposta, portanto, busca evitar que a participação feminina seja ampliada apenas no início de uma gestão e posteriormente reduzida.
Outro ponto previsto no documento é que as escolhas para os cargos considerem a diversidade racial, regional e de trajetórias profissionais. A campanha, assim, associa a paridade de gênero à necessidade de ampliar a diversidade entre as pessoas que ocupam postos de autoridade e participam das decisões dos governos.
A iniciativa não estabelece apoio a candidaturas ou partidos. Também não apresenta classificação ideológica dos participantes. A proposta é fazer a mesma pergunta a todas as campanhas e disponibilizar as respostas para consulta pública.
Fiscalização continuará depois das eleições
A campanha prevê uma segunda etapa após o processo eleitoral. A partir da posse dos governos, em 2027, será iniciada a fase chamada “Prometeu x Cumpriu”, destinada a comparar os compromissos assumidos pelas candidaturas durante a eleição com a composição efetiva dos ministérios e das secretarias estaduais.
A medida pretende permitir que a sociedade acompanhe se a promessa de garantir ao menos metade dos cargos do primeiro escalão para mulheres foi efetivamente colocada em prática.
A Rede A Ponte também convoca pessoas e instituições a participar da mobilização. Entre as formas de apoio estão o compartilhamento do mapa, a cobrança por respostas das campanhas e a inclusão da pergunta “Quantas mulheres estarão no seu governo?” em entrevistas, debates e sabatinas.
A campanha coloca em discussão, portanto, não apenas a presença de mulheres nas urnas, mas a participação feminina na tomada de decisões depois que os votos forem contabilizados. A proposta é acompanhar quem terá espaço nas estruturas que definem políticas públicas e administram os governos a partir de 2027.


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