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segunda-feira, 03 de agosto de 2026 -

Michelle Bolsonaro é confirmada pelo PL como cadata ao Senado

Ausente da convenção por problemas de saúde, Michelle Bolsonaro teve candidatura ao Senado confirmada em convenção do PL

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro teve sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal oficializada pelo PL neste domingo (2), durante a convenção da legenda realizada em Brasília. A definição encerra semanas de especulações dentro do partido, marcadas por divergências políticas e pessoais envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato do partido à Presidência da República. Leia em TVT News.

Embora tenha sido o principal nome do evento, Michelle não participou presencialmente da convenção. A ex-primeira-dama recebeu alta do hospital DF Star horas antes da reunião partidária, após permanecer internada desde a noite de sábado (1º) para tratamento de um quadro de cefaleia persistente.

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Segundo sua assessoria, ela foi submetida a um bloqueio anestésico dos nervos cranianos e pericranianos, procedimento indicado após a falta de resposta aos medicamentos utilizados nos dias anteriores.

A ausência frustrou a expectativa de que a convenção marcasse seu primeiro ato público ao lado de Flávio Bolsonaro desde a reconciliação entre ambos, construída após um período de atritos internos que expôs divergências na campanha do PL para as eleições de 2026.

Mesmo sem comparecer, Michelle enviou uma carta aos filiados e dirigentes do partido. O texto foi lido por seu irmão, Diego Torres, anunciado como primeiro suplente da chapa ao Senado.

Na mensagem, a ex-primeira-dama justificou sua ausência em razão do estado de saúde e afirmou que, apesar da internação, mantinha o compromisso com a campanha.

“Eu gostaria muito de estar aí com vocês, mas faz mais de dez dias que estou com enxaqueca muito forte. Estava tomando medicamentos, mas isso não resolveu. Ontem fui ao hospital, onde fiquei internada. Meu corpo precisou parar, mas o meu compromisso com vocês não parou”, escreveu.

Michelle Bolsonaro disse que apoia Flávio na corrida presidencial

Michelle também reforçou o apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Na carta, afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro escolheu o filho para liderar o projeto político do grupo e disse que ambos caminharão juntos durante a campanha.

A candidatura da ex-primeira-dama chegou a ser colocada em dúvida nas últimas semanas. Após conflitos públicos com Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro deixou a presidência do PL Mulher e pessoas próximas relataram que ela chegou a cogitar deixar o partido. Aliados afirmavam que ela aguardava um “sinal divino” para decidir se disputaria ou não uma vaga no Senado.

O entendimento construído nas últimas semanas, com articulação do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, encerrou o impasse e permitiu que Michelle Bolsonaro voltasse ao centro da estratégia eleitoral da legenda.

Natural de Ceilândia, Michelle Bolsonaro disputa pela primeira vez um cargo eletivo. Casada com Jair Bolsonaro desde 2007, ela assumiu a presidência nacional do PL Mulher em 2023 e passou a desempenhar papel de destaque na mobilização da base feminina do partido.

Além de oficializar Michelle, a convenção confirmou a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) como a segunda candidata da legenda ao Senado pelo Distrito Federal. Presidente do diretório regional do partido, Kicis afirmou que pretende levar ao Senado as pautas que defende na Câmara dos Deputados e destacou o apoio recebido da ex-primeira-dama durante a definição da chapa.

Segundo a parlamentar, Michelle resistiu às pressões internas para alterar a composição da disputa ao Senado e insistiu para que ambas permanecessem na nominata.

Também durante o evento, o PL confirmou apoio à candidatura da governadora Celina Leão (PP) à reeleição no Distrito Federal. Em seu discurso, Celina afirmou que Michelle enfrentou um período difícil antes de decidir disputar as eleições e disse que a escolha representou um equilíbrio entre questões pessoais e responsabilidades políticas.

A ausência da ex-primeira-dama acabou transformando a leitura de sua carta em um dos momentos centrais da convenção, que buscou transmitir uma imagem de unidade após semanas marcadas por disputas internas envolvendo nomes de destaque da direita brasileira.

Reconciliação após crise interna

A oficialização da candidatura também ocorre depois de semanas de tensão entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. O desentendimento entre os dois se tornou público após a ex-primeira-dama divulgar um vídeo afirmando ter sido humilhada e maltratada pelo enteado, provocando uma crise dentro do PL.

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Michelle Bolsonaro publica vídeo criticando Flávio Bolsonaro – Reprodução/Redes sociais

A reaproximação foi articulada pelo presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, com apoio da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e da governadora Celina Leão. Após um novo pedido público de desculpas feito por Flávio Bolsonaro, Michelle afirmou que aceitava as desculpas e disse estar disposta a conversar.

Embora interlocutores dos dois afirmem que o encontro ainda não tenha ocorrido, dirigentes do partido avaliam que a pacificação reduz um foco de desgaste para a campanha presidencial do PL e facilita as negociações da legenda com partidos aliados.

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