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quarta-feira, 29 de julho de 2026 -

Cleitinho desafia Republicanos e mantém candidatura em Minas

Senador reafirma que vai disputar o Palácio Tiradentes, mas direção estadual e nacional do partido já fechou apoio a Marcelo Aro

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) decidiu desafiar a direção do próprio partido e reafirmou que será candidato ao governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. A declaração ocorre depois que as executivas estadual e nacional do Republicanos anunciaram que não pretendem mais apoiar sua candidatura e passaram a articular apoio ao ex-secretário de Governo de Minas Marcelo Aro (PP). Saiba mais na TVT News.

A disputa interna coloca Cleitinho diante de um problema político que vai além da definição sobre sua candidatura. O senador aparece na liderança das pesquisas para o governo mineiro, mas enfrenta resistência justamente entre aqueles que deveriam trabalhar para viabilizar sua campanha. A crise se agravou depois de meses de indefinição, da ausência do parlamentar na convenção estadual do partido e do avanço de outras alianças sem a participação de Cleitinho.

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Na manhã desta quarta-feira (29), a direção do Republicanos tornou pública a ruptura. Em nota assinada pelo presidente estadual da legenda, deputado Euclydes Pettersen, e pela Executiva Nacional, o partido afirmou que aguardou durante meses uma decisão do senador, mas que ele nunca teria assumido formalmente a candidatura.

“O partido trabalhou duro para que essa candidatura pudesse acontecer”, diz o comunicado. Na sequência, a legenda afirma que faltou “a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo”.

A resposta de Cleitinho veio por meio de sua assessoria, que contrariou frontalmente a posição do Republicanos e informou que o senador será candidato ao governo de Minas. Assim, o conflito passou a ser público: de um lado, Cleitinho afirma que disputará o Palácio Tiradentes; de outro, as direções estadual e nacional do partido dizem que a candidatura não será lançada pela legenda.

Ausência na convenção virou ponto de ruptura

O episódio que acelerou a crise foi a ausência de Cleitinho na convenção estadual do Republicanos, realizada no último sábado (25), em Belo Horizonte.

O encontro era considerado uma oportunidade para formalizar a candidatura do senador ou, pelo menos, consolidar sua posição dentro da estratégia eleitoral do partido. Cleitinho, entretanto, não compareceu ao evento.

A ausência ocorreu em meio ao luto pela morte de seu irmão mais novo, Matheus Azevedo, vítima de leucemia. O irmão morreu no dia 18 de julho, e familiares e aliados apresentaram o momento de luto como uma das razões para o afastamento do senador das articulações eleitorais.

Durante a convenção, o próprio presidente estadual do Republicanos, Euclydes Pettersen, adotou tom de compreensão e disse que a decisão de Cleitinho seria respeitada.

Depois, porém, a posição do partido mudou. Na nota divulgada nesta quarta-feira, a legenda passou a tratar a ausência na convenção como um marco para a reorganização das alianças.

Segundo o Republicanos, a falta do senador foi um “fato político objetivo” que produziu “consequências inevitáveis”. O partido argumenta que, diante da ausência de uma confirmação, outras siglas e aliados precisaram tomar decisões próprias e reorganizar seus projetos eleitorais.

A mensagem política é clara: para o Republicanos, o tempo de espera acabou.

“Perdeu o timing”

O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, reforçou a avaliação de que Cleitinho demorou demais para decidir.

Antes da divulgação da nota, Pereira afirmou que o senador teria “perdido o timing”. A declaração revela o principal incômodo da direção partidária: a demora de Cleitinho em transformar a intenção de disputar o governo em uma candidatura formalmente assumida.

O senador vinha sinalizando há semanas que poderia concorrer, mas evitava confirmar definitivamente a candidatura. Em determinado momento, chegou a dizer que poderia deixar a decisão para o último dia do prazo das convenções, em 5 de agosto.

A estratégia de manter a dúvida, porém, teve um efeito político contrário ao pretendido. Enquanto Cleitinho adiava a decisão, dirigentes partidários começaram a construir alternativas.

O Republicanos passou a negociar com Marcelo Aro, enquanto o PL também aguardava uma definição para organizar seu palanque em Minas Gerais para a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

Aro ganhou espaço justamente no vácuo provocado pela indefinição.

Marcelo Aro ocupa espaço deixado por Cleitinho

Ex-secretário de Governo de Minas durante a gestão de Romeu Zema, Marcelo Aro avançou nas articulações para reunir em torno de seu nome o Republicanos, o PL e a Federação União Progressista.

O apoio do Republicanos a Aro passou a ser tratado como o caminho do partido caso Cleitinho não entrasse oficialmente na disputa. A articulação avançou rapidamente, a ponto de o partido anunciar que havia reorganizado sua estratégia eleitoral.

A movimentação colocou Cleitinho diante de uma situação peculiar: enquanto ele afirma que vai disputar o governo, seu próprio partido já constrói uma aliança para apoiar outro candidato.

O problema é ainda maior porque Cleitinho não pode simplesmente trocar de legenda para resolver o impasse.

Cleitinho pode sair do Republicanos?

Pelas regras eleitorais, uma eventual mudança partidária não resolveria a questão da candidatura ao governo em 2026.

O prazo para que candidatos estivessem filiados ao partido pelo qual pretendem disputar a eleição terminou em 4 de abril, seis meses antes do primeiro turno. Cleitinho estava filiado ao Republicanos nessa data.

Como senador, ele pode deixar a legenda sem perder o mandato. Mas, para disputar o governo de Minas neste ano, precisaria concorrer pelo partido ao qual estava filiado no prazo estabelecido pela legislação eleitoral.

Além disso, não existem candidaturas avulsas no sistema eleitoral brasileiro. A candidatura precisa ser apresentada por um partido e posteriormente registrada perante a Justiça Eleitoral.

Isso faz com que o conflito com o Republicanos seja decisivo. Não basta Cleitinho declarar que será candidato. Ele precisa ter sua candidatura formalizada pela legenda.

Senador tenta reagir com apoio de aliados

Apesar da resistência da cúpula partidária, Cleitinho não está isolado politicamente.

O ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão afirmou que o senador decidiu disputar o governo e revelou que foi convidado para compor a chapa como candidato a vice-governador.

“Cleitinho decidiu disputar o Governo de Minas e reafirmou o desejo de que eu faça parte desse projeto como candidato a vice-governador”, declarou Falcão.

O irmão gêmeo do senador, Gleidson Azevedo, também afirmou que desconhecia qualquer decisão de desistência e manteve a perspectiva de que Cleitinho seguirá na disputa.

Outro sinal veio do próprio senador na terça-feira (28), quando publicou um vídeo produzido com inteligência artificial no qual aparece conversando com representações digitais de seu pai e do irmão Matheus, ambos mortos.

Na gravação, o irmão aparece entregando uma bandeira de Minas Gerais ao senador e o incentiva a seguir em frente. Cleitinho publicou o vídeo com a mensagem: “Seguirei na missão”.

O conteúdo foi interpretado por seus aliados como uma confirmação da candidatura justamente no momento em que as negociações partidárias caminhavam em outra direção.

Liderança nas pesquisas aumenta o peso da crise

A disputa interna ganha ainda mais importância porque Cleitinho não chega ao conflito fragilizado eleitoralmente.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada na terça-feira (28) mostrou o senador na liderança dos cenários testados para o governo de Minas. O desempenho reforça a avaliação de que ele possui capital eleitoral suficiente para ser um dos principais nomes da eleição.

Mas a liderança nas pesquisas não resolveu o problema central: a dificuldade de transformar esse desempenho eleitoral em uma candidatura respaldada pela estrutura partidária.

É justamente essa contradição que passou a marcar a pré-campanha mineira. Cleitinho tem força entre os eleitores, mas enfrenta resistência na própria legenda.

Crise também afeta o palanque de Flávio Bolsonaro

A indefinição não envolve apenas o Republicanos. O impasse também interfere na estratégia do PL em Minas Gerais e na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

O partido havia sinalizado apoio a Cleitinho e aguardava a definição do senador para organizar seu palanque no estado. Com a demora, entretanto, o PL passou a discutir a possibilidade de apoiar Marcelo Aro.

A construção de uma aliança em torno de Aro ganhou força com a participação de dirigentes nacionais dos partidos e passou a representar uma alternativa concreta ao projeto de Cleitinho.

A situação cria, portanto, um efeito dominó: a indefinição do senador abriu espaço para Aro, o avanço de Aro fortaleceu as direções partidárias que desistiram de esperar por Cleitinho e essa decisão, por sua vez, levou o senador a reafirmar publicamente sua candidatura.

Disputa agora é pelo controle da candidatura

O principal capítulo da crise, portanto, não é mais saber se Cleitinho quer ou não disputar o governo. A assessoria do senador já respondeu que sim.

A questão passou a ser outra: Cleitinho conseguirá impor sua candidatura ao próprio partido?

O Republicanos sustenta oficialmente que esperou pelo senador e que, diante da falta de uma decisão no momento considerado adequado, decidiu seguir outro caminho. Cleitinho, por sua vez, afirma que será candidato e conta com aliados que continuam defendendo seu projeto.

A declaração pública do senador transforma a disputa em um embate pela condução da candidatura dentro do Republicanos. A legenda já fala em Marcelo Aro, enquanto Cleitinho tenta recuperar o espaço político que perdeu durante o período de indefinição.

O episódio também expõe uma contradição relevante para a eleição mineira de 2026: o nome que lidera as pesquisas é justamente aquele que enfrenta maior dificuldade para obter o respaldo de sua própria estrutura partidária.

Agora, o futuro da candidatura dependerá da capacidade de Cleitinho de superar a resistência das direções estadual e nacional do Republicanos e garantir que o partido formalize sua candidatura. Até que isso aconteça, Minas Gerais terá um pré-candidato que diz estar na disputa, mas cuja própria legenda já trabalha para colocar outro nome no lugar.

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