A TVT alcançou a marca histórica de 1 bilhão de visualizações somando suas redes sociais,…

Presidente do Paraguai renuncia
Presidente do Paraguai, Santiago Peña, renuncia em meio à crise bancária. Entenda a crise no Paraguai com a TVT News.
Entenda o que está acontecendo no Paraguai
O Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do Paraguai (atendendo a cerca de 3 milhões de pessoas, quase metade da população do país), entrou em colapso financeiro, levando o Banco Central do Paraguai (BCP) a decretar sua intervenção e fechamento em 3 de novembro de 2026.

Principais acontecimentos com o Ueno Bank
- Insolvência e Bloqueio de Recursos: O BCP interveio na instituição após constatar que o índice de solvência do Ueno caiu abaixo do mínimo legal, congelando o dinheiro de milhões de correntistas e gerando protestos em Assunção.
- Prisões e Investigações: A Justiça determinou a prisão preventiva de oito executivos e dirigentes do banco e do Grupo Vázquez (controlador da instituição), incluindo o presidente do Ueno Bank, Juan Manuel Gustale, e o fundador e vice-presidente, Miguel Vázquez. Também foi ordenado o bloqueio de cerca de US$ 70 milhões em bens dos envolvidos.
- Repercussão Política e Renúncias:
- O presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo.
- O vice-presidente do país, Pedro Alliana, suspendeu temporariamente sua pré-candidatura à Presidência.
- Partidos de oposição articularam um pedido de impeachment contra o presidente paraguaio Santiago Peña, devido a antigos laços e supostas ligações políticas com o grupo controlador do banco.
- Partidos da situação disseram que iriam apoiar o pedido de impeachment.
- Garantia aos Depositantes: O Banco Central anunciou que os correntistas terão acesso a uma antecipação do Fundo de Garantia de Depósitos (com pagamentos iniciais de até 10 milhões de guaranis, cerca de R$ 9.200), enquanto a agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota do banco para “D” (default/falência técnica)
Qual a relação do presidente do Paraguai com o Ueno Bank
A relação do presidente do Paraguai, Santiago Peña, com o Ueno Bank é direta, comercial e política, sendo o principal fator que desencadeou o pedido de seu impeachment por parte da oposição.
Os principais pontos que conectam o presidente à instituição incluem:
1. Participação societária (Ex-acionista)
Santiago Peña foi acionista da Ueno Holding, o grupo empresarial que controla o Ueno Bank. Ele possuía mais de 6,1 bilhões de guaranis (cerca de R$ 5,6 milhões) em ações. O presidente se desvinculou oficialmente da holding em março de 2025, mas a oposição alega que ele manteve forte influência nos bastidores e se omitiu diante de irregularidades subsequentes.

2. Conflito de interesses no Banco Central
Ao assumir a presidência em 2023, Peña nomeou Carlos Carvallo para comandar o Banco Central do Paraguai (BCP). Acontece que Carvallo era, até a véspera da nomeação, o presidente-executivo do próprio Ueno Bank. Críticos apontam que essa indicação gerou um claro conflito de interesses, sugerindo que o Banco Central afrouxou regras de fiscalização para favorecer e acobertar os problemas financeiros do banco digital.
3. Ueno Bank, o Master do Paraguai
Durante o governo de Peña, o Ueno Bank registrou uma expansão agressiva e passou a concentrar cerca de US$ 850 milhões em recursos do Estado. Isso incluiu verbas do Ministério da Economia e, principalmente, fundos previdenciários do Instituto de Previdência Social (IPS). A oposição o acusa de manipulação regulatória e favorecimento indevido para inflar o caixa do banco privado com dinheiro público.
4. Empréstimos pessoais e evolução patrimonial
Investigações e declarações juradas do próprio presidente apontam que, enquanto o banco captava dinheiro do Estado, Peña obteve um crédito financeiro de 3,5 bilhões de guaranis (cerca de R$ 3,2 milhões) junto à instituição para financiar projetos pessoais, incluindo a construção de uma mansão de veraneio.
Os opositores utilizam essa transação e o enriquecimento de Peña entre 2017 e 2023 para sustentar as acusações de “benefício patrimonial” e “tráfico de influência”.
O presidente nega qualquer irregularidade e afirma que o colapso é um “caso isolado”. No entanto, a proximidade com os executivos presos e o impacto sobre as economias de milhões de paraguaios destruíram a confiança política em sua gestão.


Comments (0)