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terça-feira, 03 de novembro de 2026 -

Programa de valorização à pesquisa seleciona 12 trabalhos sobre saberes afro-brasileiros e indígenas

Terceira edição do chamamento Programa Ancestralidades de Valorização à Pesquisa, voltado exclusivamente a pesquisas de pessoas pretas, pardas e indígenas residentes no Brasil, recebeu 440 inscrições de todo o país que investigam temas como literatura indígena, educação antirracista, capoeira, teatro negro, museus, infâncias indígenas e saberes quilombolas

A Fundação Itaú e a Fundação Tide Setubal anunciam os 12 selecionados pela terceira edição do Programa Ancestralidades de Valorização à Pesquisa. Com a temática Arte e Cultura na Educação Integral em Perspectivas com Saberes Afrodiaspóricos e Indígenas, a iniciativa recebeu 440 inscrições válidas de todas as regiões do país, um crescimento de 48% em relação à edição anterior, que contou com 298 propostas. Leia em TVT News.

Dos trabalhos escolhidos, quatro pertencem à categoria Pesquisa e Estudos Concluídos e oito à categoria Pesquisa e Estudos em Andamento. Cada autora e autor cujo trabalho foi contemplado em ambas as categorias receberá apoio financeiro de R$18 mil, nos casos de pesquisas concluídas, e R$12 mil para estudos em andamento. Os resultados podem ser encontrados no site www.ancestralidades.org.br.

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No dia 30 de novembro, os selecionados poderão apresentar seus projetos e estreitar uma rede de pesquisadores durante um evento fechado no Itaú Cultural. 

Nesta edição, as pesquisas se enquadram em um dos quatro eixos temáticos:

  • Expressões Artísticas e Linguagens;
  • Identidade, Memória e Patrimônio;
  • Diversidade e Direitos Humanos;
  • Sustentabilidade e Território.

Todos os projetos estão inseridos, com aplicação prática, no contexto da educação integral, entendida como uma abordagem que promove o desenvolvimento pleno dos indivíduos em suas dimensões cognitiva, física, emocional, social e cultural

As pesquisas escolhidas representam 12 municípios de oito estados brasileiros distribuídos pelas quatro regiões do país (veja a lista dos selecionados abaixo). Os trabalhos abordam temas como literatura indígena e negro-brasileira, formação de leitores e escritores, educação quilombola, capoeira, teatro negro, protocolos de enfrentamento ao racismo em museus, educação ambiental crítica, infâncias indígenas e cosmologias afro-indígenas.

A seleção reúne pesquisadoras e pesquisadores vinculados a universidades, institutos federais e outras instituições de ensino e pesquisa, além de iniciativas que articulam produção acadêmica, atuação comunitária e práticas culturais em diferentes territórios do Brasil.

Estudos

Entre os estudos contemplados estão uma investigação sobre a presença da literatura indígena no ensino médio como estratégia para desconstruir estereótipos; uma pesquisa sobre a literatura negro-brasileira como prática de construção de identidade e enfrentamento ao epistemicídio; um trabalho que propõe a capoeira como matriz afro-brasileira para a formação docente e para a educação integral antirracista; e uma pesquisa dedicada às brincadeiras e formas de transmissão de saberes na infância Guarani Mbyá.

Outros projetos analisam metodologias de enfrentamento ao racismo em museus, experiências de teatro negro voltadas à educação, narrativas de mulheres quilombolas como ferramenta para a educação ambiental crítica e processos de formação de estudantes-autores a partir da Educação das Relações Étnico-Raciais.

Também foram selecionadas pesquisas que articulam ancestralidade, criação artística, cuidado e formação em territórios negros. Outros estudos abordam saberes comunitários e territórios educacionais na Amazônia.

Os trabalhos selecionados refletem os objetivos do Programa Ancestralidades de Valorização à Pesquisa 2026 de fomentar a produção e a circulação de conhecimentos que contribuam para ampliar a presença de perspectivas afro-brasileiras, indígenas e quilombolas nos processos educativos, nos espaços culturais e na produção acadêmica.

Sobre programa e temática

O Programa Ancestralidades de Valorização à Pesquisa 2026, voltado a pesquisas de pessoas pesquisadoras pretas, pardas e indígenas, tem como proposta contribuir para o enfrentamento do racismo e de outras formas de violência correlatas. A partir disso, foca em práticas e reflexões que ampliam as possibilidades de aprendizagem e valorizam diferentes formas de conhecimento.

Ao aproximar o universo acadêmico e experiências vividas, busca que seja estimulada a produção de estudos que dialoguem com territórios, identidades e práticas culturais diversas, contribuindo para a construção de uma educação inclusiva, crítica e conectada com a realidade brasileira.

Sobre a Plataforma

Criada em novembro de 2021, a Plataforma Ancestralidades celebra cinco anos de atividades com a proposta de difundir, gerar intercâmbios e potencializar diversos conteúdos sobre a temática que dá nome ao projeto. Ela é composta por quatro eixos temáticos:

  • Arte e Cultura;
  • Democracia e Direitos Humanos;
  • Religiosidade e Espiritualidade;
  • Ciência e Tecnologia. 

O espaço disponibiliza, para consultas, verbetes sobre as raízes afro-brasileiras em um acervo que será acrescido ao longo do tempo.

Com a proposta de formar e criar repertórios sobre o assunto, apresenta biografias e trajetórias de personalidades negras e suas histórias, listagem dos marcos históricos desde o início do século XVI e conceitos sobre o tema, como raça, gênero, quilombo, afrofuturismo, entre outros, assim como espaços para cursos.

PESQUISA E ESTUDOS CONCLUÍDOS

(ordem alfabética)

Alan Alves Brito (Porto Alegre/RS)
Cosmologias e cosmopolíticas afropindorâmicas: relações céu-terra para a educação antirracista das ciências e das artes na Améfrica

Fernanda Gonçalves Lima (Porto Seguro/BA)
Literatura Pindorâmica: caminhos para desconstrução de estereótipos

Francislene Conceição Freitas de Sales (Nazaré/BA)
Faraimorá: uma poética didático-pedagógica de teatro negro

Silvana Mindua Vidal Verissimo (Biguaçu/SC)
Infância Guarani, travessia, brincadeira: Kyringue onheovangaa

PESQUISA E ESTUDOS EM ANDAMENTO

(ordem alfabética)

Christiane Fernandes Avelino (Brumadinho/MG)
Nzadi Ateliê: metodologias situadas em um afroterritório de criação, cuidado e formação

Gabriela Nascimento Ananias (Campinas/SP)
“Volte, pegue”… e escreva: formação de estudantes-autores na educação básica a partir da Educação das Relações Étnico-Raciais

Gleyce Kelly Maciel Heitor (Belo Horizonte/MG)
Metodologias, condutas e protocolos restaurativos diante de episódios de racismo nos museus

Luciano Hebert de Lima Silva (Fortaleza/CE)
Capoeira, ancestralidade e formação docente: uma matriz afro-brasileira para a Educação Integral antirracista

Luiz Carlos Coelho de Oliveira (Rio de Janeiro/RJ)
Arte-educação: a formação de leitores e escritores entre a formação docente e o aquilombamento

Qircia Aparecida Fonseca Santana (Iraquara/BA)
Narrativas femininas no diálogo de saberes entre a escola e a comunidade quilombola do Escôncio em Iraquara (BA) como possibilidade para uma educação ambiental crítica

Samilly Valadares Soares (Ananindeua/PA)
Instituto Perpetuar, Pororoca de Saberes e Territórios Educacionais

Valmir Luis Saldanha da Silva (Jacareí/SP)
Autofagia: a literatura negro-brasileira como prática de construção de si no ensino e no território contra o epistemicídio

Crédito do Matéria

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