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ONU rejeita bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba
Cuba recebe apoio de 130 países na ONU, que voltou a pedir o fim do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos
A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou nesta quarta-feira uma resolução que pede o fim do bloqueio imposto pelos Estados Unidos a Cuba desde 1960. O texto recebeu 130 votos favoráveis, 17 contrários e 25 abstenções. Todos os países de língua portuguesa votaram pelo encerramento das sanções. Leia em TVT News.
A votação ocorre em meio ao agravamento da crise energética e das dificuldades humanitárias na ilha caribenha, após o governo do presidente Donald Trump reforçar as restrições. Segundo Francisco Pichon, coordenador da ONU em Cuba, a situação aumenta o risco de colapso humanitário.
A decisão da Assembleia Geral mantém a posição expressa em votações anteriores, mas o apoio à resolução foi menor do que no ano passado, quando 165 países votaram a favor, sete contra e 12 se abstiveram.
Bloqueio afeta saúde e acesso a medicamentos
Os efeitos das restrições também atingem o sistema de saúde cubano. Em maio, representantes da ONU informaram que mais de 100 mil procedimentos cirúrgicos haviam sido adiados.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para os impactos da falta de energia nos serviços de saúde.
As autoridades cubanas também relatam atrasos em campanhas de vacinação e dificuldades para garantir o fornecimento regular de medicamentos a pacientes com doenças crônicas.
Especialistas independentes e representantes das Nações Unidas para os direitos humanos têm criticado o embargo e outras sanções unilaterais dos Estados Unidos, apontando riscos aos direitos à saúde, à alimentação, à vida e ao desenvolvimento.
Miguel Díaz-Canel celebrou a votação em suas redes
Em suas redes, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel celebrou a decisão da ONU: “O mundo voltou a se pronunciar majoritariamente contra o bloqueio, inclusive acima das mais grosseiras pressões e chantagens dos EUA para mudar o rumo desta votação”.

Resolução defende soberania e liberdade de comércio
A resolução apresentada por Cuba reafirma princípios como a igualdade soberana entre os Estados, a não intervenção em assuntos internos e a liberdade de comércio e navegação internacionais.
O documento manifesta preocupação com os efeitos extraterritoriais de medidas norte-americanas, incluindo a Lei Helms-Burton, promulgada em 1996.
Segundo o texto, essas restrições podem afetar a soberania de outros países, os interesses de pessoas e empresas submetidas às suas jurisdições e as relações comerciais internacionais.
A Assembleia Geral pede que os países evitem adotar medidas desse tipo e insta os governos que ainda aplicam sanções contra Cuba a revogá-las.
Estados Unidos contestam críticas ao embargo
O debate na ONU também foi marcado por um confronto entre representantes de Cuba e dos Estados Unidos. Na terça-feira, o ministro cubano das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez Parrilla, interrompeu a fala do embaixador norte-americano, Mike Waltz, para apresentar uma questão de ordem.
A discussão levou à suspensão temporária da sessão, retomada posteriormente sem novos incidentes.
Waltz rejeitou a interpretação de que o embargo seja responsável pela crise cubana e atribuiu a situação ao governo da ilha.
O representante norte-americano também negou a existência de um bloqueio, citando exportações dos Estados Unidos para Cuba e o comércio com outros países e organizações internacionais.
A resolução da Assembleia Geral não encerra, por si só, as sanções norte-americanas, mas renova o apelo internacional para que sejam revogadas.
Desde 1992, a ONU já aprovou 33 resoluções pedindo o fim do embargo. O apoio atingiu seu maior patamar em 2015, 2016 e 2017, quando 191 países votaram a favor, durante a aproximação entre os governos de Cuba e dos Estados Unidos sob a presidência de Barack Obama.


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