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quinta-feira, 17 de setembro de 2026 -

“criança se abria e não tinha encaminhamento psicológico” 

Reportagem do núcleo de jornalismo investigativo da Fórum Investiga identificou 25 contratos e instrumentos em dez estados relacionados à Escola da Inteligência e à Teoria da Inteligência Multifocal, desenvolvida pelo escritor e candidato à presidência Augusto Cury. Os valores passam de R$ 30 milhões. Em um dos municípios, Itajaí, no litoral de Santa Catarina, foram identificados cinco contratos encontrados que somam R$ 21,8 milhões entre 2017 e 2021. Saiba mais em TVT News.

De acordo com reportagem da Fórum, a Escola da Inteligência, que assinava os contratos do método de Cury chegou à rede municipal em 2017, quando fechou um contrato de R$ 1,19 milhão. “Em 2018, foram R$ 2,68 milhões. Em 2019, R$ 4,31 milhões. Em 2020, o valor subiu para R$ 5,98 milhões. O maior contrato veio em 2021: R$ 7.648.425 para kits e serviços do programa”, explica a matéria.

Método na sala de aula

A partir da denúncia da Fórum, a TVT News conversou com uma professora que acompanhou o método Augusto Cury no município. A professora Cleonice Comunello, dirigente sindical do Sinfoz (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais da Região da Foz do Rio Itajaí) também é professora de Língua Portuguesa e precisou utilizar o método em sala de aula.

Na época do contrato, o prefeito de Itajaí era Volnei Morastoni (MDB). Ela explica que a gestão resolveu adotar o programa, vendendo uma ideia de que era para trabalhar as emoções e fazer com que os alunos se sentissem acolhidos “ Foi assinado, de repente, chegou e tivemos que começar a trabalhar […] das creches até 9° ano. Foi uma política da gestão, por isso não teve licitação, foi comprado a toque de caixa”.

Ainda de acordo com a reportagem da Fórum, esse contrato da Prefeitura de Itajaí chegou a ser investigado pelo Ministério Público de Santa Catarina, mas o caso foi arquivado em 2023, já que o órgão considerou regular a contratação sem licitação e apontou ausência de superfaturamento.

“A gente tinha que trabalhar uma hora por semana seguindo o livro do Augusto Cury […] quando tinha alguma situação, em que, algumas crianças se abriam e falavam sobre o que estava acontecendo. Ficava por aí, não tinha um encaminhamento. Era para a criança falar, só que quando uma criança fala, precisa de ações. Eu ficava numa condição, eu ouvia e não podia fazer encaminhamentos e a criança em vulnerabilidade esperava algo”, relatou.

A professora ainda relata que, ao dar o feedback dentro das escolas e também aos consultores da empresa, era estimulada a responder o que eles queriam ouvir. “O profissional que cobrava, eles deixavam a conversa de lado, são essas empresas que vão no serviço público vender uma ideia provocada para que ela dê certo. Eu tinha situações em que as crianças precisavam ser levadas para um tratamento psicológico e emocional, mas eles só vendem a ideia até onde querem.”

Privatização da educação

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Para professora, educação precisa seguir Base Nacional Comum Curricular sem atender a interesses neoliberais. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Segundo Comunello, o Sindfoz chegou a abrir canal de diálogo com a gestão e a resposta era que o método estava dando certo. “Nós temos uma LDB (Lei de Diretrizes Básicas), a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), o Planos Nacional de Educação, estadual, municipal, é o que vai direcionar a educação. A gente tem que falar sobre esse povo de fora achar que pode chegar aqui e dizer ‘está dentro da BNCC’, não. Eles vem vender uma ideia, ganhar dinheiro em cima do serviço público, a gente sabe como funciona o capital, o neoliberalismo, a educação tem norteador, tem gente que pensa educação”, avaliou.

Ainda segundo Comunello, o livro colocava a ideia de que a criança pode mudar o modo de pensar. “Uma criança que chega com fome na escola, se eu professora não consigo ver que essa criança chegou com fome e ele não vai conseguir produzir, o que eu estou fazendo com meu aluno? Esses livros não falam da questão social”.

Crédito do Matéria

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