A pesquisa Quaest encomendada pelo Grupo Globo e divulgada nesta quarta-feira (2) mostra Augusto Cury…

o que significa o resultado da pesquisa Quaest?
Confira a análise dos especialistas e cientistas políticos da FESPSP sobre a nova pesquisa Quaest
A mais recente rodada da pesquisa Quaest (BR-07065/2026), divulgada nesta quarta-feira (02/09), revela um cenário de acirramento no qual a polarização política é impactada pela ascensão de uma nova força eleitoral.
De acordo com os cientistas políticos do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais (Labop) da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), o avanço de Augusto Cury (10%) e o estreitamento da distância entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro confirmam o direcionamento do foco do pleito para o eleitor não alinhado e para a migração de votos, que podem decidir o resultado da eleição à Presidência da República.
Eleitor indeciso e pendular é estratégico
De acordo com Beto Vasques, analista político e coordenador do Labop, a situação de empate técnico entre Lula e Flávio está se transformando em um empate numérico real no segundo turno, o que torna o processo eleitoral ainda mais instável.
Para Vasques, o foco estratégico da disputa agora se divide em três dimensões: o comportamento do eleitor indeciso e pendular; o peso do eleitor abstencionista ou que opta pelo voto em branco e nulo; e a dinâmica de migração dos votos de candidatos como Cury, Caiado, Renan e Zema do primeiro para o segundo turno.
Cenário é desafiador para o governo
O cientista político e professor Hilton Fernandes destaca que, enquanto Lula (37%) e Flávio (30%) demonstram estabilidade em seus patamares de primeiro turno, *Cury parece crescer principalmente entre eleitores de Renan, Caiado e Zema, que registram oscilações negativas. O dado *chama a atenção por ocorrer justamente em um período de maior exposição e crescimento do conhecimento público sobre esses nomes, contrariando o que se espera tradicionalmente nesta fase das campanhas.

Fernandes alerta que o desenho atual das pesquisas impõe barreiras complexas ao atual governo. Para Lula, o cenário apresentado pela Quaest é desafiador, pois mostra uma *movimentação dos eleitores em torno de candidaturas de oposição, o que torna o segundo turno mais difícil para o presidente”, avalia.
Ascensão de Cury sinaliza voto de desconforto
Para o cientista político Jairo Pimentel, a Quaest de hoje sugere que Flávio Bolsonaro tem demonstrado “crescente eficiência” em canalizar o sentimento antipetista diretamente em intenções de voto.
*No que diz respeito a Augusto Cury, o crescimento de sua candidatura nas intenções de voto não sinaliza necessariamente uma guinada do eleitorado ao centro ideológico, mas sim a *expressão de um “voto de desconforto com as duas candidaturas dominantes”, composto por cidadãos que buscam romper a escolha binária. “O ponto decisivo, portanto, deixa de ser quem lidera agora e passa a ser quem terá maior capacidade de incorporar, na reta final, esse contingente ainda não plenamente alinhado aos dois polos”.


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