Quando Davi Alcolumbre (União-AP) anunciou a vitória da PEC, ouvia-se ecoar no Palácio do Congresso…

Pacientes temem ficar sem remédios de alto custo se Flávio Bolsonaro for eleito
As declarações de Flávio Bolsonaro e a disputa presidencial preocupam pacientes que dependem de medicamentos de alto custo fornecidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Após o primeiro turno, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro declarou ter maioria no Senado para fazer o presidente do Senado e presidente da Câmara para “mudar a Constituição” e “redemocratizar esse país”. Além disso, a Folha de S. Paulo revelou que, Flávio pretende fazer um tesouraço nas despesas públicas da União em 2% do PIB, o que seria equivalente a R$ 250 bilhões. Como o tesouraço e a mudança na Constituição poderiam impactar o SUS e quem utiliza medicações de alto custo? Saiba mais em TVT News.
Tesouraço

O presidente da Abres, (Associação Brasileira de Economia da Saúde), Franciso Funcia, explica que não tem como cortar R$ 250 bilhões do orçamento sem mexer em despesas como educação, assistência social, Previdência Social e saúde, porque são as quatro maiores áreas de despesa federal. “Não tem como reduzir gasto da saúde sem que as despesas de maior valor sejam atingidas e, uma das despesas que com certeza será reduzida, é a relacionada à assistência farmacêutica, seja relacionada aos medicamentos de alto custo, ou a medicamentos de HIV/AIDS, como também a Farmácia Popular”, afirmou.
Ele explica que, pela Constituição, a União é obrigada a contribuir com 15% da receita corrente líquida. Caso a Constituição seja modificada, isso pode mudar. Durante o governo Temer passou a vigorar a Emenda Constitucional 95/2016 que congelou os investimentos em saúde e educação por 20 anos.
“O governo Bolsonaro, quando assume em 2019, não muda nada disso, pelo contrário, aprofunda essa austeridade fiscal […] o último grande ato dessa retirada de recursos foi a apresentação, em 2022, para o Congresso Nacional, do projeto de lei orçamentária para 2023, que simplesmente continuava o processo de retirada de recursos do SUS, inclusive, comprometendo seriamente a atenção primária, a atenção especializada, a formação e a qualificação dos trabalhadores do SUS e a saúde indígena”, disse.
Pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostra que, entre 2018 e 2022, o SUS (Sistema Único de Saúde), perdeu entre R$ 65 bilhões e R$70 bilhões.
Medicação de alto custo
A professora Maria Picarelli, 32, recebeu o diagnóstico de esclerose múltipla no ano passado. Iniciou o tratamento com uma medicação por infusão que custava R$ 9 mil cada dose.
“A esclerose múltipla é uma doença que não tem cura, e alguns sintomas são irreversíveis. Meu primeiro sintoma, foi dormência nas mãos. Eu não recuperei em momento algum a sensibilidade nas minhas mãos. Na época em que eu comecei o tratamento, eu estava remissiva, mas senti uma diminuição da fadiga, que é o sintoma mais recorrente, mais intenso da esclerose múltipla”, disse.
Maria já teve dormência em metade da face e perda parcial da visão, caso ela fique sem o remédio esses sintomas podem retornar, se intensificar e novos podem aparecer. “Um sintoma que eu tenho, que acontece algumas vezes, é falha nas pernas. Eu estou caminhando e começo a mancar, porque a minha perna falhou. Simplesmente não tenho força para andar”, contou.
No momento, ela precisará mudar a abordagem do tratamento. Cada comprimido da nova medicação, a Cladribina, custa cerca de 18 mil reais e, neste período, o valor total do tratamento será em torno de R$ 612 mil, garantidos pelo SUS.
“Minha preocupação apareceu neste momento de renovação, porque como no interior algumas coisas acabam demorando um pouco mais do que nas capitais, eu já tenho essa tensão, para saber se tudo vai ser aprovado conforme eu entregar todos os documentos. Um possível desmonte do SUS, a preocupação aumenta bastante”, observou.
Já a secretária Manoela Monteiro Melendez, 42, descobriu a artrite reumatóide em 2014, chegou a fazer alguns tratamentos com remédios comuns que não surtiram efeito e, há cinco anos, foi encaminhada para o tratamento de alto custo. A caixa com 30 comprimidos de Baricitinibe, custa entre R$ 6.680 e R$ 7.397.
“Eram muitas dores articulares, em todos os locais, dedos do pé, dedos da mão, tornozelo, sola do pé, ombro, cotovelo, quadril. Eu chegava a ter febre, enxaqueca porque você acaba tensionando o corpo inteiro. E acho que eu tive uma piora muito grande depois que peguei covid. Eu tinha dor todos os dias, todos os dias, uma dor totalmente incapacitante. Com seis meses que eu estava tomando o remédio, virei outra pessoa. Funcionou 99%.”, contou.
Ela relata que sempre entendeu a importância do SUS e que tem medo que o remédio passe a falta na rede pública.
“Quando a gente chega nesse momento de eleição, é uma coisa que me deixa bastante ansiosa, porque, é sempre essa insegurança. Eu não posso pegar quatro remédios e deixar no meu armário. Eu dependo [de receber] ele mês a mês. Eu tenho certeza que se eu ficar um mês sem o remédio, vou ter o retorno da doença da maneira que era antes com bastante dor”.
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