O feed disputa atenção em milissegundos, se não performar imediatamente, morre no algoritmo Por Gabriel…

Caso de racismo em escola particular de Campinas expõe falhas institucionais
Porteiro denuncia que foi chamado de “negro sujo e macaco”, procura a polícia e, após relatar o caso à direção, é demitido
A Polícia Civil investiga uma denúncia de racismo feita pelo porteiro Rodnei Ferraz contra alunos de uma escola particular em Campinas (SP). O caso, ocorrido em 15 de dezembro de 2025, também é apurado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), que abriu procedimento para analisar a conduta da instituição após o trabalhador relatar as ofensas e ser demitido dias depois.
Segundo boletim de ocorrência registrado por Ferraz, três estudantes do ensino médio que estavam na unidade para realizar provas de recuperação passaram a fazer tumulto nas dependências da escola, localizada no distrito de Barão Geraldo. Ao pedir que cessassem a confusão, o porteiro afirma ter sido alvo de ataques racistas.
“Mas aí ele chegou e falou: ‘eu pago o seu salário, você é um sub-raça, um negro sujo e um macaco’”, relatou Rodnei Ferraz ao g1. Em outro trecho da entrevista, ele descreveu o impacto da agressão: “É revoltante, porque você se sente frágil, e impotente com essa situação ridícula que aconteceu comigo”.
Ferraz trabalhava na unidade desde 1º de agosto de 2025, conforme confirmou o próprio colégio em nota. Ele afirma que, após comunicar o episódio à direção, foi desligado da função. Para o trabalhador, a demissão ocorreu em retaliação à denúncia. A escola, por sua vez, nega qualquer vínculo entre os fatos.
Em nota oficial, o Colégio Objetivo Barão Geraldo declarou que “repudia qualquer ato de racismo e todo tipo de preconceito” e que seus valores estão “respaldados na formação humana, tratada como um importante pilar no desenvolvimento dos alunos”. A instituição afirmou ainda que desenvolve trabalhos contínuos, da Educação Infantil ao Ensino Médio, para fortalecer princípios como respeito, empatia e responsabilidade social.
Sobre o episódio específico, a escola informou que o caso foi tratado “com extrema cautela, profunda atenção e seriedade uma vez que envolve menores de idade” e que houve contato com alunos, colaboradores e famílias. Segundo o comunicado, “a acusação do funcionário foi apurada internamente, tendo os alunos negado a prática de qualquer ato racista”. O colégio também sustenta que “o desligamento do funcionário não teve qualquer ligação com os fatos” e declarou estar colaborando com as autoridades competentes.
A Polícia Civil instaurou procedimento para apurar possível ato infracional, uma vez que os envolvidos são menores de idade. O caso poderá ser encaminhado à Vara da Infância e Juventude. Paralelamente, o MPT investiga se houve falha da instituição na adoção de medidas adequadas diante da denúncia e se a demissão pode configurar retaliação a um trabalhador que comunicou prática discriminatória.
Fepesp repudia caso de racismo
Entidades ligadas à educação reagiram ao episódio. A Federação dos Professores do Estado de São Paulo (Fepesp) manifestou repúdio ao caso, classificando-o como “grave e inaceitável, especialmente por ter ocorrido em ambiente educacional”. Em nota, a federação ressaltou que “racismo é crime e constitui violação dos direitos humanos” e afirmou que nenhum trabalhador pode sofrer retaliação por denunciar práticas discriminatórias. A entidade também destacou que instituições de ensino têm responsabilidade na prevenção e no enfrentamento desse tipo de conduta e defendeu “a apuração rigorosa dos fatos”.
O caso reacende o debate sobre racismo estrutural no ambiente escolar e a responsabilidade institucional diante de denúncias envolvendo trabalhadores. Enquanto a investigação policial e o procedimento no MPT seguem em curso, a apuração dos fatos deverá esclarecer se houve crime de racismo e se a dispensa do porteiro teve relação com a denúncia apresentada.


Comments (0)